Casos de conflitos, 'bulling', agressões físicas... De forma recorrente, situações de violência explícita se tornam públicas. Nos últimos dias, por exemplo, a diretora de uma escola em Cascavel foi agredida por um aluno. Na Alemanha, um ex-aluno de 17 anos abriu fogo em um colégio e matou 16 pessoas. Estes são casos extremos, mas no cotidiano das escolas os conflitos e brigas acontecem diariamente e acometem silenciosamente alunos, professores e famílias.
''Todos estão no limite'', admitiu Geraldo Magela Zanoia, diretor auxiliar do Colégio Estadual Vicente Rijo, a maior escola pública de Londrina e a segunda maior do Paraná, com 3,3 mil alunos (85% oriundos de bairros periféricos). O colégio distribui manual com direitos, normas e outros esclarecimentos aos alunos, realiza assembléias para discutir os, dispõe de equipamentos de segurança, conta com o apoio da Patrulha Escolar, tem a aprovação maciça dos estudantes (conforme pesquisa feita no início do ano). Ainda assim convive com expulsões diárias de classe provocadas por indisciplina. Conforme Zanoia, ''o aluno hoje não leva desaforo para casa''.
Ele revelou que muitos pais incentivam a prática da política do ''olho por olho, dente por dente'', o que acaba dificultando ainda mais a atuação da escola. ''O papel da família é importantíssimo porque ela é parte fundamental do problema''. Ele apontou ainda que jogos eletrônicos e TV também incentivam a violência.
O diretor de comunicação da APP-Sindicato, Nelson Antônio da Silva, corroborou com o cenário de alerta nas escolas. ''Entre as grandes questões estão as salas superlotadas e a falta de professores, que ainda afetam muitas escolas''. Ele criticou que a formação profissional é precária mas, pelo menos neste aspecto, o Estado está investindo ao oferecer cursos de qualificação aos docentes da rede pública.
A professora de Educação Física Luana Cristine Franzini da Silva defendeu tese de mestrado na UEL sobre intervenções em situações de conflito e atestou que os docentes, por deficiência na formação, agem conforme aprenderam até então. Ela acompanhou aulas de 10 professores em Londrina e percebeu essa dificuldade. ''Eu, por exemplo, queria desenvolver a criticidade entre meus alunos, mas não conseguia porque os conflitos tomavam quase toda a aula. Hoje, busco refletir mais e repensar minhas práticas'', disse.
O presidente do Sinepe-NPR, Marco Antônio de Souza, reforçou que os conflitos hoje interferem, e muito, no aprendizado, mas advertiu que o problema aumenta com a insatisfação. ''A criança feliz, disposta a aprender, é uma criança sem conflitos'', destacou. Ele também se disse partidário de transformar uma situação conflitante em uma oportunidade de aprendizado. ''Estas situações acontecem porque as pessoas não têm tolerância umas com as outras. A sala de aula é o espaço adequado para trabalhar isso, porque é o espaço que ele confia, onde expõe o que realmente é'', analisou. (L.A.)

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