Como uma forma de burlar a lei, os médicos estão prescrevendo o anorexígeno em uma receita e a associação de substâncias em outra e orientando os pacientes a manipular em farmácias diferentes, quando existe uma resolução do Conselho Federal de Medicina proibindo a fragmentação de fórmulas. Alguns profissionais, inclusive, ainda insistem em receitar o anorexígeno com associação, ignorando a legislação. Um exemplo desta prática é o recebimento de cerca de 30 prescrições desta natureza, em setembro, por uma das maiores redes de farmácias do Paraná. Em agosto, esse número foi mais de 50.
''O número caiu bastante nas últimas semanas, mas todas as receitas que chegam até nós com associação são negadas'', disse a coordenadora farmacêutica da rede, Carolina Salles. A endocrinologista Mônica De Biase Kastrup, da Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), disse que essa prática será verificada nas fiscalizações. ''A maioria das irregularidades acontecem porque as pessoas são mal informadas. A população favorece essa situação porque, se tem procura, tem oferta'', critica.
''O mundo da beleza é que funciona na cabeça das pessoas e os médicos que abusam de anorexígenos estão em desacordo com a lei. Todo mundo quer ganhar dinheiro com obesidade'', disse Kastrup.
Segundo Kastrup, as fórmulas são um engodo porque as pessoas emagrecem rápido e depois as drogas não fazem mais efeito. ''Não adianta depois aumentar a dose. A vida útil de um medicamento anorexígeno é de 20 semanas. Só ficam os efeitos colaterais, que podem ser desde constipação, irritabilidade e insônia a taquicardia, parada cardíaca e distúrbios no sistema nervoso'', alerta a médica.
Existem outras substâncias recomendadas para tratamento antiobesidade, que inibem a absorção de gorduras sem provocar efeito colateral. Outra opção seria a sibutramina.''Essa substância é a mais recomendada e pode ser usada por mais de cinco anos, sem problemas. Hoje é o medicamento mais moderno para o controle da obesidade e menos agressivo'', aconselha Kastrup.
''Eu conheço jovens que queriam emagrecer e morreram disso e não sei como ficou o atestado de óbito. As pessoas não têm o hábito de buscar justiça no Brasil. Não existem estatísticas informando o número de mortes por uso indiscriminado de anorexígenos'', disse a médica, acrescentando que o Brasil é o maior consumidor de substâncias anoréticas, de acordo com a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife) da Organização Mundial de Saúde. (F.G.)

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