Todo idoso perde a memória?
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quinta-feira, 07 de junho de 2012
Érika Gonçalves <br> <br> Reportagem Local 
Muitos associam a dificuldade de se lembrar das coisas com a chegada da terceira idade, mas todo idoso perde a memória? De acordo com o geriatra Wesley Villas Boas de Oliveira, de Londrina, muitos estudos e pesquisas têm sido feitos em todo o mundo.
''O único fator de risco bem conhecido e aceito universalmente é exatamente a idade. Com o passar dos anos, nosso organismo vai ficando mais lento para lembrar as informações que guardamos na memória - é o chamado esquecimento senescente benigno e não é rotulado de doença'', afirma.
Inácio Floriano da Silva, de 83 anos, afirma que sempre foi esquecido e com a idade sentiu a dificuldade aumentar. ''O que ajudou um pouco foi voltar para a escola. Estava em casa, parado e quis voltar a fazer alguma coisa e isso está me ajudando um pouco'', atesta.
De acordo com o médico, a perda de memória só pode ser considerada doença quando interfere na rotina diária, por exemplo, quando a pessoa passa a fazer a mesma pergunta várias vezes, ou se esquece o nome de algum filho, ou não se lembra que dia é hoje.
O autônomo Jair Aparecido Delaroza, de 51 anos, se orgulha da boa memória que tem e cuida para que ela continue sempre assim. ''Não preciso de agenda para lembrar números de telefone, por exemplo. Como trabalho com números, acho que isso serve como uma espécie de exercício. Também gosto muito de jogos como baralho e videogame.''
A costureira Matilde de Bortoli, de 50 anos, conta que sempre foi esquecida mas está sentindo que com o passar dos anos, se recordar de coisas simples está ficando mais complicado. ''Sei que algumas coisas como leitura e palavras cruzadas ajudam, mas não tenho paciência para ficar fazendo isso'', conta rindo.
''Hoje as pessoas têm a preocupação com a doença de Alzheimer, mas existem outras doenças que afetam o cérebro, como: tumor cerebral, depressão, aterosclerose, doença de Pick, doenças cerebrais como acidente vascular cerebral (AVC), multienfartos cerebrais. Todas elas acabam afetando a memória e levando a algum tipo de demência. Aceita-se que a demência seja uma doença idade dependente, ou seja, a medida que a idade avança, maior a probabilidade de sua ocorrência'', explica o geriatra Wesley de Oliveira.
Ele ressalta que a perda de memória é progressiva, e pode ser agravada com o uso de calmantes ou outros medicamentos indutores do sono, pela depressão, cansaço, insônia, stress, solidão e tristeza. Alterações de visão e de audição também podem contribuir para a perda de memória.
''É muito importante procurar um médico para verificar o porquê da perda de memória. Caso a visão e audição estejam afetadas, a correção do grau do óculos e a retirada do cerúmem do ouvido muitas vezes podem ajudar. A suspensão ou a troca de medicamentos também ajuda em inúmeros casos. Para os pequenos esquecimentos, os exercícios que estimulam a atenção e concentração como palavras cruzadas, sudoku, jogos de memória, decorar poesias e rever fotos são de grande valor'', destaca o geriatra.
A aposentada Madalena Zarelli, de 60 anos, busca no crochê e na costura uma maneira de exercitar a mente. ''Tenho bastante dificuldade em lembrar de números e sinto que de uns tempos para cá isso está ficando pior. Mas o meu crochê eu ainda consigo fazer, pelo menos os pontos mais simples'', sorri.


