A compra de um carro usado precisa estar cercada de vários cuidados para não tornar-se uma dor de cabeça para o novo proprietário. A verificação de documentação, do estado da parte mecânica e da lataria e da procedência do veículo são essenciais. Para especialistas, precauções simples são importantes mas, no entanto, nem sempre são suficientes para evitar que se compre ''gato por lebre.''
A primeira providência é ver se a documentação está em ordem. Com o número do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam), o comprador pode levantar a ficha do veículo e evitar problemas futuros. Os principais documentos são o comprovante de pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e do seguro obrigatório (DPVAT), Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV) e de transferência.
''O levantamento também apresenta um demonstrativo de possíveis multas pendentes'', revela o chefe da 12 Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) em Londrina, Rubens Loureiro. Mesmo com todas as providências, os golpes ainda são aplicados. Para ele, o melhor é ter referências sobre o vendedor e o veículo.
Quando os cuidados não são suficientes e o comprador sente-se lesado, a alternativa é recorrer ao Procon. O ideal, porém, é que o consumidor peça orientação no órgão antes de fechar o negócio. Uma dica importante é que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) é aplicado apenas no caso de compra de concessionárias ou estacionamentos. O negócio particular é regido somente pelo Código Civil.
O estado do carro deve ser verificado minuciosamente. Alguns detalhes podem ser conferidos por leigos, mas é recomendável levar o veículo a um mecânico de confiança.
O profissional especializado vai verificar, principalmente, o motor e a lataria. Um motor carbonizado, que não teve as trocas de óleo feitas adequadamente, pode ter a vida útil comprometida. O resultado é prejuízo para o bolso do comprador. ''A aparência pode enganar. A beleza e o estado de conservação podem esconder problemas graves'', adverte o mecânico Luiz Carlos da Silva.
O próprio comprador pode fazer uma verificação básica. Conferir as emendas na lataria, inclusive embaixo dos carpetes e no porta-malas. Um espaço excessivo na fresta entre as portas e o capô pode indicar que o veículo foi furtado ou pelo menos houve tentativa. A pintura também deve ser conferida com cuidado, principalmente porque a cera pode esconder defeitos ou amassados.
''Se mesmo assim o comprador cair em um golpe ou não ficar satisfeito, tem que recorrer à polícia ou ao Procon'', ressalta Loureiro.

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