Após receber de seu professor de teatro a tarefa de escrever sobre a vida de alguém que não conheceu, a jovem Vada Sultenfuss decide investigar o passado de sua mãe. Para isso, viaja a Los Angeles, onde passa uma temporada na casa de seu tio Phil. São meados da década de 1970 e Vada, que foi criada numa pequena cidade do interior dos Estados Unidos, descobre o fascínio da cidade grande.
Uma das cenas mais inspiradoras, e um tanto emblemáticas, do filme Meu Primeiro Amor 2, mostra Vada furando a orelha para colocar seu primeiro par de brincos. O que parece comum nos dias de hoje, pegou o pai da personagem de surpresa no filme, levando-o a questionar-se até que ponto a filha chegaria em busca da beleza.
Na vida real, mais de 30 anos depois da época em que se passou o filme, a atendente Thamu, como é conhecida na loja de piercings e tatuagens onde trabalha, no Centro de Londrina, não esconde o prazer em buscar o belo fazendo uso de adereços. Aos 21 anos, toda tatuada, ela já teve até dez piercings espalhados pelo corpo. ''Hoje são só sete'', enumera.
Thamu relembra o primeiro piercing colocado quando tinha apenas 17 anos. Foi um adereço transversal na cartilagem da orelha esquerda e ela precisou de autorização da mãe para o procedimento. ''Minha mãe não gosta, mas também não proíbe'', diz a atendente, que tem outros dois piercings nos lóbulos, dois na região da boca, um no umbigo e um no mamilo e recentemente colocou mais um piercing na língua.
Durante a perfuração, acompanhada pela reportagem da FOLHA, Thamu foi instruída pelo tatuador Anibal a higienizar a boca antes do procedimento. Depois, utilizando apenas materiais esterilizados e protegido por luvas cirúrgicas, Anibal verificou, com o auxílio de uma pequena lanterna, a localização dos vasos sanguíneos na língua da moça.
Em seguida, ele marcou os pontos corretos para perfuração com o auxílio de um palito de dente e uma solução à base de Violeta de Genciana, um anti-séptico que também é usado para colorir os cabelos. ''Perceba que é tudo esterilizado, desde o palito de dente até a agulha'', reforça Anibal.
A perfuração em si dura poucos segundos. ''O tempo da agulha, que tem o exato ângulo e calibre do piercing, transpor o músculo'', afirma o tatuador. ''Quando feito corretamente, não causa trauma, não dói, nem sangra'', avisa.
Já com o piercing na língua, Thamu faz um novo bochecho com anti-séptico e está pronta para exibir o mais novo adereço. ''Achei que não fosse conseguir, mas foi uma experiência ótima'', confessa a moça, revelando que já queria ter feito a perfuração há muito tempo. ''Uso piercing por estética, acho bonito.''
Anibal faz questão de ressaltar que todos os materiais utilizados na perfuração são descartados conforme as normas da Vigilância Sanitária. ''Nosso lixo é tratado como nas farmácias, clínicas e hospitais.''
Segundo o tatuador Lexx, dono da loja onde Thamu e Anibal trabalham, nem todo mundo pode fazer piercing na língua. ''É feita uma avaliação antes porque tem língua que é muito curta e não dá para perfurar.''
Apesar de não requerer anestésico, a perfuração lingual só não causa problemas quando é feita corretamente, avalia Lexx, que só trabalha com aço cirúrgico para perfuração com 20 milímetros de comprimento. ''O piercing deve sempre estar no centro do músculo a um ângulo perpendicular de 30 graus. Assim, quando a língua estiver em repouso, ele também ficará em repouso, sem causar danos à boca.''
Na loja de Lexx, o cliente recebe uma série de orientações. ''Só fazemos piercing em maiores de 18 anos e adolescentes maiores de 16 anos, com autorização do pai ou responsável.'' Depois do procedimento, o cliente ainda leva um livreto, que informa sobre os cuidados para que o adereço não se torne um problema futuro.

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