Dezenas de migrantes chegam a Londrina diariamente em busca de melhores condições de vida, segundo dados do Terminal Rodoviário. Muitos vão direto ao Sinal Verde, pedir abrigo temporário. Outros são moradores da própria cidade, que vagam pelas ruas durante o dia e passam a noite no local.
Numa noite é possível encontrar cerca de dez andarilhos dormindo no pátio da rodoviária, muitos são até conhecidos dos funcionários e taxistas que trabalham no local. Cada um com seu cobertor ou pedaço de papelão, um respeitando o espaço do outro e todos respeitando as determinações da segurança, que toda manhã expulsa os andarilhos, que invariavelmente retornam à noite.
Uma delas é a dona Maria. Simples assim, sem sobrenome nem idade - ''não sou tão nova não'' -, mas com duas sacolas nas mãos, um pé calejado de tanto caminhar e um cachorro sarnento como companhia. Em meio à sua confusão mental, relatou que veio de São Paulo há 15 anos e que vive transitando entre o Centro e o Jardim União da Vitória (Zona Sul), onde mora. Quando falta dinheiro, recolhe latinhas na rua para juntar uns trocados. Ela, que havia passado a noite sentada num dos bancos da rodoviária, garantiu estar acostumada. Ontem pretendia seguir até o aeroporto, ''pegar meus filhos'', e depois até Cambé (Norte), sempre a pé. (M.G.)

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