Imagine uma estradinha escondida em meio às árvores. Agora, imagine o asfalto cercado por campos de trigo e milharais. Mais à frente, as árvores dão lugar ao sol, refletido nas flores que guardam a entrada dos sítios. Pois o caminho de apenas dez quilômetros, que liga Londrina aos distritos da Zona Sul, está mais perto do que se pode imaginar. A Estrada da Cegonha, por onde produtores escoam as safras de verão e inverno, é um convite ao agroturismo em Londrina.
Como a velha estradinha rural existem tantas outras opções de passeio que o próprio londrinense não conhece, ou não valoriza, e que só mesmo um plano para o desenvolvimento do turismo local poderia contemplar.
''Londrina tem tantas fazendas, muito bonitas, do tempo do café. Poderia se criar um circuito, aproveitando o eixo Heimtal-Warta, que é uma zona gastronômica e cultural não só para o turista mas também para o londrinense'', declara a arquiteta Marcia Bounassar, mestre em planejamento, gestão e turismo.
Num rápido giro pela cidade, ela aponta diversos locais pelos quais passamos todos os dias e ainda assim nos esquecemos de apreciar, entre eles, a Rodoviária e a Praça do Relógio de Sol, o Marco Zero, a Biblioteca, o Museu Histórico e o Relojão do Calçadão, que inclusive é o local mais lembrado pelo londrinense, segundo pesquisa da Faculdade de Arquitetura da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
''Não podemos esquecer os monumentos ao Viajante e à Bíblia'', assinala Marcia, ressaltando ainda o potencial turístico das casinhas de madeira do Jardim Shangri-lá (Zona Oeste), do Aeroporto, do Autódromo e do Estádio do Café, além do Parque de Exposições e, claro, do Lago Igapó.
''Temos o Salto do Apucaraninha, com 114 metros de altura e a usina que ainda não são explorados como atrativo'', diz Marcia. Ela sugere a instalação de banheiros e de um mirante no local, além da venda de bebidas e artesanato indígena como forma de estimular o aproveitamento turístico da região.
Para Marcia, a Mata dos Godoy é bem explorada por passeios e trilhas, diferente do Parque Arthur Thomas, ''que também poderia ser um atrativo.''
Segundo a arquiteta, Londrina não se caracteriza como cidade turística ''porque não tem forte apelo natural, apesar do Igapó e do Arthur Thomas.'' No entanto, tem potencial para o turismo de negócios e eventos. ''É também um pólo de compras e de difusão do esporte, já que traz atletas de fora para disputar campeonatos de tênis e beisebol'', lembra.
Para a arquiteta, Londrina tem ainda potencial para o turismo de saúde e religioso, além de cultural, gastronômico e de lazer. ''Imagina se as agências criassem pacotes para o Filo ou o Festival de Música. A promoção poderia ofertar, além do ingresso, uma diária num hotel, uma refeição num restaurante da cidade e algum tipo de entretenimento. Quer forma melhor de promover a cidade ?''

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