São Paulo, SP - Quantas vezes, ao trancar uma porta, você ficou em dúvida e voltou para conferir se ela estava mesmo fechada? Quando é feita eventualmente, essa confirmação é apenas mera questão de responsabilidade. Mas, se toda vez que sai de casa, a pessoa sente a necessidade de conferir por seis vezes seguidas se trancou mesmo a porta, o problema é mais sério: trata-se de um sintoma de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo).
Essa doença afeta a mente, que passa a construir fantasias das quais a vítima não consegue fugir. Assim, o doente se torna dependente da realização de certos rituais, como lavar as mãos ou conferir se a luz do quarto está apagada. Enquanto não os cumpre, fica angustiado e preocupado. ‘‘Muitos dos rituais são hábitos comuns, que tornam-se problema porque são repetidos inúmeras vezes, sem qualquer necessidade. O exagero e a dependência é que prejudicam a pessoa’’, conta o psiquiatra Frederico Navas Demetrio.
A doença atinge crianças e adultos, indistintamente, e se manifesta de várias formas. As mais comuns estão relacionadas à limpeza e à verificação. ‘‘Quem sente necessidade de se ensaboar tantas vezes durante o banho ou precisa verificar repetidamente se fechou o gás se encaixa nesse perfil mais comum’’, diz Demetrio. ‘‘Às vezes, com o tempo, um paciente que só tinha mania de limpeza desenvolve mania de verificar, ou outra qualquer, não ligada à limpeza.’’
O diagnóstico é complicado, porque muitas vezes o doente não percebe que suas manias extrapolam a normalidade. ‘‘Por isso, muitas vezes quem percebe o problema primeiro é alguém que convive com o doente, como um familiar ou um colega de trabalho’’, diz o psicólogo Humberto Freitas.
O tratamento usual é feito por meio de psicoterapia e uso de remédios. A psicoterapia, porém, só age sobre as manias percebidas pelo médico. Assim, se o doente esconder um sintoma qualquer do transtorno, ele não será combatido pela terapia.
Em um ou dois meses, o tratamento surte efeito, reduzindo até 80% dos sintomas. A cura total, porém, é muito difícil, e muitos pacientes precisam manter o tratamento pelo resto da vida.
Há dez anos sofrendo com o TOC, o Rei Roberto Carlos vem passando por sessões de terapia cognitiva-comportamental. Em entrevista à revista ‘‘Veja’’, o cantor declarou que as manias causadas pelo distúrbio já estavam começando a incomodá-lo: ‘‘O TOC às vezes é tratado como uma coisa engraçada, mas não é nada disso, ele perturba muito. Quem tem deve procurar um terapeuta imediatamente.’’

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