O juiz Evandro Luiz Camparoto, da Vara Criminal do Fórum de Porecatu (85 quilômetros ao norte de Londrina), decretou ontem a prisão preventiva dos sindicalitas Evanildo Pinto Rodrigues, Daniel Malaquias e Claudemir Arriero, do Sindicato dos Rodoviários de Londrina, presos e acusados de extorquir a Usina Central Paraná, produtora de açúcar e álcool. Anteontem, o Tribunal de Justiça havia concedido habeas-corpus em favor dos acusados, que estão detidos desde junho. Mas o juiz entendeu que a liberdade deles põe em risco a ordem pública. No habeas-corpus, o TJ entendeu que houve falhas na tomada de depoimentos, com os acusados ouvidos antes das testemunhas.
Os sindicalistas foram presos em flagrante pela Polícia Civil no dia 23 de junho, com R$ 100 mil em dinheiro e um cheque ao portador no valor de R$ 100 mil. A acusação dos diretores da usina é de tentativa de extorsão para que não fosse deflagrada uma greve, com risco de dilapidação do patrimônio da empresa. A usina armou um flagrante depois de gravar conversa telefônica entre os sindicalistas e alguns diretores. Um policial disfarçado acompanhou a operação. O crime é inafiançável e a pena de quatro a 10 anos de reclusão, além do pagamento de multa.
Ontem à tarde e parte da noite, testemunhas de acusação foram ouvidas em audiência presidida pelo juiz Camparoto e acompanhada pelo Ministério Público, os acusados e seus advogados. De acordo com o juiz, as principais testemunhas são o diretor administrativo da usina, Glauco Miguel Ferrigno, o gerente comercial e financeiro da usina, Jayme Planas Navarro, e o delegado Fátimo de Siqueira.
O primeiro a depor foi Navarro. Ele disse à Folhaque relatou ao juiz que os sindicalistas vinham extorquindo a empresa há pelo menos cinco anos. ‘‘Nesse anos todos eles já devem ter levado da usina cerca de R$ 500 mil’’, afirmou. Indagado sobre a demora da empresa em denunciá-los, Navarro alegou que havia o receio de que os sindicalistas explodissem as caldeiras da usina, o que ‘‘quebraria a empresa’’. Ferrigno, o segundo a depor, alegou que a empresa demorou para denunciar os sindicalistas para preservar os empregos dos 7,5 mil funcionários.
Um dos advogados dos sindicalistas, Fábio Franz, disse que os depoimentos dos dois diretores da usina não acrescentaram novidades ao processo. ‘‘Eles só confirmaram ainda mais que os nossos clientes são inocentes, já que a quantia encontrada com eles era devida ao sindicato pela usina. O flagrante foi armado apenas para inverter a história’’, afirmou.
No início da noite de ontem era ouvido o delegado Siqueira. Segundo ele, no momento da prisão Evanildo Rodrigues teria lhe oferecido R$ 50 mil para não ser preso.

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