O presidente do Tribunal de Justiça, Cláudio Nunes do Nascimento, proibiu ontem a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Paraná, de fazer dentro do Tribunal do Júri um ato de protesto contra o juiz João Kopytowski, previsto para ontem à tarde. O ato foi formalizado pelo presidente da OAB, Alfredo de Assis Gonçalves, em frente ao Tribunal, diante de 30 advogados que não concordam com a atuação do juiz.
Gonçalves foi chamado pelo presidente do TJ para uma reunião sobre o assunto, mas foi embora depois de quase duas horas de espera. Os advogados Lúcio Di Pino e Dálio Zippin Filho representaram a OAB na reunião que tentou aplacar os ânimos entre o juiz - considerado polêmico - e advogados.
O ato programado era um desagravo em favor do advogado Marco Antonio Vieira, que denunciara o juiz por ‘‘autoritarismo, prepotência e de agir como promotor’’. Segundo ele, Kopytowski o agrediu verbalmente durante julgamento, mandando-o ‘‘calar a boca’’. ‘‘Ele age como um Deus’’, criticou. O atrito entre Vieira e Kopytowski ocorreu durante julgamento em 31 de agosto.
O juiz Kopytowski negou a agressão e disse que o advogado o interrompeu várias vezes durante seu pronunciamento e faltou-lhe com respeito. ‘‘Ele perdeu a compostura, apresentou desequilíbrio emocional e parecia estar embriagado’’. Ao invés de chamar a polícia, o juiz diz que optou por dissolver o julgamento.
Kopytowski entrou junto à OAB nacional com pedido de intervenção contra a OAB-PR, pedindo ‘‘retomada do caminho da ética e da disciplina, de forma que os advogados sejam merecedores de respeito’’. Alguns membros da OAB-PR, diz, instituiram um ‘‘tribunal de exceção que julga unilateralemente para condenar os que contrariem seus interesses’’.
A concessão de desagravo contra o juiz foi aprovada pelo Conselho Pleno da OAB-PR. O movimento para afastar Kopytowski parte de um grupo de advogados criminalistas. ‘‘Trata-se de um grupo de inconformados e incompetentes’’, acusa o juiz. Para Kopytowski, os advogados o criticam porque aplica ‘‘a verdadeira justiça’’.
O presidente da Associação dos Magistrados do Paraná, Guilherme Luiz Gomes, disse que o TJ não foi informado sobre o atrito com o juiz e que a AMP desconhece as queixas dos advogados.

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