O Tribunal de Justiça do Paraná indeferiu ontem a liminar que pedia a revogação da prisão preventiva da freira Anilse Terezinha Bianchini, detida há mais de dois meses em Guarapuava por suspeita de adoção irregular, maus-tratos e coação de testemunhas.

No parecer do TJ, assinado pelo desembargador Telmo Cuerem, o relator aponta a falta do testemunho de uma das mães envolvidas como principal argumento para a manutenção da prisão. A última testemunha de acusação, Mariliane Aparecida Ziegmann, mãe de duas crianças que foram entregues mediante adoção irregular, está sendo localizada em Curitiba, onde irá depor por carta precatória.

Segundo o desembargador, os diversos pedidos de revogação da prisão preventiva formulados pela defesa foram indeferidos ''ao fundamento principal de necessidade de se garantir a instrução criminal, ainda não foi encerrada''.

A doméstica Mariliane Ziegmann seria ouvida em Prudentópolis, no último dia 21, mas não foi encontrada. De acordo com informações levantadas pela Promotoria Pública, ela estaria trabalhando em Curitiba. A Justiça tenta localizar, intimar e ouvir, via carta precatória, a testemunha. O processo vence em menos de 20 dias.

O desembargador Telmo Cuerem alega ainda que os motivos que levaram ao decreto da preventiva precisam ser examinados quanto ao mérito, descabendo pedido de liminar. Com o habeas-corpus negado a irmã Anilse Bianchini continuará presa na guarnição do Corpo de Bombeiros de Guarapuava. Um dos advogados da religiosa, Miguel Nicolau Júnior, soube da decisão do TJ ontem à tarde, pela Folha.

No último dia 9, a juíza da 1Vara Criminal de Guarapuava, Carmem Silvana Zolandeck Mondin, negou o pedido de revogação da prisão preventiva da freira. A juíza acatou parecer do Ministério Público e preferiu deixar a religiosa detida pelo menos até o final da oitiva das testemunhas de acusação. Entre os argumentos, a juíza citou a necessidade de se ouvir Mariliane Zigman e na possibilidade de terem de ser reinqueridas testemunhas já ouvidas. No mesmo dia, os advogados da freira entraram com pedido de habeas-corpus no Tribunal de Justiça, em Curitiba.

A freira Anilse Terezinha Bianchini está presa desde o dia 24 de junho, acusada de coagir testemunhas no processo que apura o envolvimento dela em adoções irregulares e maus-tratos de crianças. Depois de passar quase um mês entre a cadeia da 14Subdivisão Policial e o Hospital São Vicente de Paulo, a freira foi instalada em um quarto especial no Corpo de Bombeiros.

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