TJ manda indenizar mãe de aluno que morreu em excursão
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quarta-feira, 21 de março de 2001
Maurício Borges Enviado a Ivaiporã 
O Tribunal de Justiça do Paraná, por decisão unânime dos desembargadores que compõem a 5ª Câmara Cível, negou recurso do Colégio Mater Consolatrix, que contestava a decisão de 1ª instância, sobre a morte do estudante Josiel Carvalho Klima. O aluno morreu afogado em uma piscina, em outubro de 1997, quando tinha 11 anos, durante uma excursão promovida pela escola.
Na Comarca de Ivaiporã a Justiça havia julgado favorável o pedido de indenização da família do aluno. De acordo com a sentença, o Mater Consolatrix deveria pagar R$ 20 mil pelo dano moral e uma pensão mensal à família, com valor de 2/3 do salário mínimo vigente, por um período de 11 anos, correspondente à idade de 14 a 25 anos do menor.
No julgamento do recurso, ocorrido anteontem, os desembargadores confirmaram a decisão de 1ª instância. Os integrantes da 5ª Câmara Cível não acataram a sustentação do advogado do Colégio Mater Consolatrix, Álvaro Branco, que se tratava de um caso de morte acidental.
Ontem Álvaro Branco anunciou, em Ivaiporã, que o colégio irá recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. Porém, o advogado ressaltou que a instituição acatará a decisão final da Justiça. Se for o caso, a escola indenizará a família, afirmou.
Para o advogado a morte do estudante foi, sem dúvida alguma, um acidente. Não houve negligência e nem a família alega isso na ação proposta contra o Colégio Mater, disse.
Para a mãe do garoto Josiel, a empregada doméstica Marli Nascimento Carvalho Klima, a decisão da Justiça não vai trazer seu filho de volta, mas pelo menos está sendo feito Justiça. A partir do momento que coloquei meu filho lá, eles eram responsáveis e acredito que houve, sim, falha dos professores, porque o Josiel tinha medo de água e era muito obediente, comentou.
Ela contou que a morte do filho gerou muito sofrimento e revolta na sua família. Só continuei trabalhando para ajudar no estudo da minha filha, relatou a mãe, acrescentando que os antidepressivos e calmantes, que precisou tomar, lhe causaram obesidade.
A diretora do colégio na época do acidente, professora Ivone Ceccato Proença, lembrou que a excursão, realizada na subestação de Furnas, em Manoel Ribas, fazia parte projeto da área de ciências. Havia uma coordenadora e mais seis professores, além de monitores, para cuidar dos alunos de uma turma de 5ª série, por isso não acredito que houve negligência da escola, opinou Ivone.
Segundo ela, os estudantes participaram da excursão com consentimento dos pais e havia ordem expressa da coordenação para que nenhum aluno, que não soubesse nadar, se aproximasse da piscina. Infelizmente, num momento de descontração, o garoto ausentou-se do refeitório e entrou na piscina, morrendo afogado, recordou.


