Os advogados Fábio Franz e Giovani Macedo vão tentar hoje no Tribunal de Justiça (TJ) anular todos os atos deliberados pelo juiz criminal de Porecatu, Evandro Luiz Camparoto, dentro do processo contra os sindicalistas presos sob acusão de extorquirem R$ 200 mil da Usina Central do Paraná, em Porecatu (85 km ao norte de Londrina). Anteontem, Camparoto declarou-se suspeito e deixou o caso, depois de mais de três meses à frente do processo contra Evanildo Pinto Rodrigues, Daniel Malaquias e Claudemir Arriero, do Sindicato dos Rodoviários de Londrina e região. Os advogados dos sindicalistas apresentaram gravações telefônicas de conversas entre o juiz Evandro Camparoto, o diretor da usina, Jaime Planas Navarro e o advogado da empresa, Haroldo Fernandes.
Macedo está confiante de que o conteúdo das fitas seja suficiente para questionar as ações de Camparoto no processo. Hoje à tarde, em Curitiba, os advogados vão promover a defesa oral dos sindicalistas, durante sessão do TJ, em que haverá o julgamento do habeas-corpus. O desembargador Moacir Guimarães será o relator do processo. Segundo informações do TJ, outros dois desembargadores participam da sessão e também votam. Um representante do Ministério Público estará presente na sessão e poderá intervir, se necessário. Ainda segundo o TJ, durante a defesa os advogados podem questionar os atos do juiz de Porecatu.
Evanildo Rodrigues, ex-presidente do Sindicato dos Rodoviários de Londrina e região, e os outros dois sindicalistas presos com ele foram os responsáveis pela organização da greve na Usina Central que durou 20 dias, em janeiro deste ano. Há cerca de três meses, a direção da usina gravou conversas telefônicas e armou o flagrante de extorsão, que resultou na prisão dos três sindicalistas. Policiais civis prenderam os três acusados com R$ 100 mil em dinheiro e um cheque ao portador no valor de R$ 100 mil, assinado pelo diretor-geral da empresa, Jaime Planas Navarro. O grampo telefônico, feito sem autorização judicial, foi aceito dentro do processo.
O deferimento do habeas-corpus em favor dos sindicalistas, segundo o atual presidente do Sindicato dos Rodoviários, João Batista, não implica no retorno deles junto à diretoria. Batista salientou que não está fazendo pré-julgamento dos sindicalistas, mas afirmou que''não há conveniência política e moral para a volta deles ao sindicato.''
João Batista afirmou ainda que cogita a possibilidade de tomar alguma medida jurídica, caso seja comprovada a autenticidade dos diálogos entre o juiz e a direção da usina. Ele ouviu as gravações e disse que se o conteúdo for autêntico, é ''comprometedor'' e implica na falta de imparcialidade do juiz. O presidente do sindicato considera que o fato de o juiz ter se dado como supeito pode prejudicar futuras negociações dos trabalhadores com a empresa. Segundo Batista, Camparoto hoje é juiz criminal, mas futuramente pode estar julgando questões trabalhistas.
O desembargador da Corregedoria-Geral de Justiça, Tadeu Marino Loyola Costa, afirmou que tomou conhecimento dos fatos ocorridos em Porecatu pela imprensa. Segundo ele, se for encaminhada uma representação formal contra Camparoto, a Corregedoria fará diligências para apurar as denúncias. A averiguação, informou, corre em segredo de Justiça para preservar a imagem do magistrado.

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