O Tribunal do Júri (TJ) de Londrina deverá levar a julgamento esta semana três casos polêmicos. Está marcado para hoje, às 8h30, o julgamento de Heros Barros Ferro, acusado de tentativa de homicídio triplamente qualificado contra a dentista Érika Luriko Hamada, em março de 99.
Ferro era namorado da irmã da dentista. Cerca de um mês antes da tentativa de homicídio, o relacionamento teria sido rompido e ele, acreditando que o fim do namoro foi influenciado pela família, teria tramado o crime contra Érika Hamada. O acusado teria ido ao consultório armado com uma faca e, ao tentar atingi-la, usou até equipamentos odontológicos. Ontem, o advogado de defesa de Heros Ferro, Luís Gaya, pediu que o julgamento fosse adiado, alegando problemas particulares. O juiz João Luís Cléve Machado, da 1ª Vara Criminal e do Tribunal do Júri, indeferiu o pedido. Ontem à tarde a Folha tentou falar com Gaya, mas ele não foi localizado.
O promotor Miguel Jorge Sogaiar, também do Tribunal do Júri, afirmou que a quantidade de pedidos de adiamentos feitos pelos advogados dos réus que irão a julgamento estão provocando morosidade na solução dos casos. Segundo ele, dos cinco casos que irão a júri nos próximos dias, quatro já foram adiados anteriormente. ‘‘Por isso decidi que, de agora em diante, o Ministério Público será contrário a todos os pedidos de adiamento, a não ser nos casos em que for apresentada justificativa legítima e comprovação documental do pedido.’’
Amanhã, irá a júri popular Sílvio de Melo, que no dia 29 de outubro de 1996 teria empurrado sua mulher, Izabel Lázaro de Melo, de cima do pontilhão da Avenida Celso Garcia Cid (centro). O casal estava se separando e, naquele dia, eles voltavam do escritório do advogado. Testemunhas teriam visto quando Melo pegou a mulher pelos braços e a jogou. Ele será julgado por homicídio qualificado consumado por vingança e por não ter apresentado defesa à vítima.
Na quinta-feira, será julgado outro caso polêmico: o do tenente Albano Rodrigues de Oliveira, acusado de atirar contra o jovem Elizeu Felisberto da Silva durante uma blitz na região central da cidade, matando-o. Este será o primeiro oficial da Polícia Militar a ser julgado pela justiça comum. O processo teve toda a instrução feita pela justiça militar.
O caso aconteceu em outubro de 1991 e, em 96, foi promulgada uma lei (de nº 9.299) que mudou a competência dos julgamentos dos crimes dolosos contra a vida praticados por militares contra civis, no exercício do trabalho. Depois que lei entrou em vigor, apenas um soldado foi julgado pela justiça comum de Londrina.

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