O governo do Estado foi intimado pelo Tribunal de Justiça do Paraná a nomear 11 dentistas que foram aprovados em concurso público realizado há cinco anos. A primeira intimação aconteceu em janeiro e a segunda foi determinada no final de maio.
De acordo com o edital, publicado em setembro de 1997, o concurso seria para preenchimento de vagas no quadro de saúde da Polícia Militar, com 16 vagas para médicos, 11 para odontólogos e duas vagas para bioquímicos. Os candidatos aprovados deveriam atuar em Curitiba ou em 15 cidades do interior.
Segundo o dentista Reginaldo Shibayama, de Londrina, todas as etapas do concurso aconteceram normalmente, com provas, exames físicos e exame de títulos. A ‘‘surpresa’’ aconteceu em março de 98, no dia da convocação dos aprovados para integrar a tropa, com a comunicação de que o concurso estava suspenso. ‘‘Muitos dos aprovados largaram consultórios onde estavam trabalhando e acabaram perdendo oportunidades e a polícia militar de todo o interior ficou sem atendimento dentário’’, disse.
O grupo de 11 dentistas aprovados entrou na Justiça, com mandado de segurança, em fevereiro de 2000, antes do vencimento do prazo de dois anos do concurso. O julgamento da ação aconteceu em agosto de 2001 e em janeiro deste ano foi determinada a nomeação. Como não houve manifestação do governo, o grupo fez nova petição na Justiça, alegando prática de crime de desobediência, o que poderia acarretar multa diária de R$ 1 mil. A resposta do Tribunal de Justiça foi intimar novamente o governo.
Segundo o comandante da PM do Paraná, coronel Gilberto Foltran, o comando não foi notificado da decisão. ‘‘A competência para nomear essas pessoas, se houve determinação da Justiça, é da Secretaria de Administração. A questão da saúde dentro dos quartéis está sendo equacionada da melhor maneira possível, e com o fechamento do IPE (Instituto de Previdencia do Estado) estamos achando outras possibilidades de atendimento’’, disse.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Administração informou que não tem informação sobre a decisão da Justiça e que a PM tem autonomia para contratar pessoal. A Folha também entrou em contato com a Procuradoria Geral do Estado mas não obteve retorno.

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