TJ diz que cancelamento foi desrespeito
James Alberti
De Curitiba
O advogado Álvaro Borges Júnior, que defende Osvaldo Marcineiro, Davi dos Santos Soares e Vicente de Paula Ferreira, acusados de matar o menino Evandro Ramos Caetano, 7 anos, disse ontem que o juiz Marco Antonio Antoniassi havia perdido o controle do julgamento e era influenciado em suas decisões pela pressão dos promotores e assistentes de acusação. A pressão teria resultado no indeferimento de perguntas de Borges Júnior, que abandonou o plenário do Fórum de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, provocando o cancelamento do júri.
A atitude do advogado foi criticada ontem pelo presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, Sydney Ditrich Zappa. Se há razão ou não é outro problema. O certo é que o julgamento começou e deveria terminar em respeito ao Poder Judiciário, ao corpo de jurados e ao próprio povo, que espera uma decisão, afirmou. Zappa descartou a possibilidade do juiz ser afastado do julgamento, como deseja o advogado de defesa. Para o presidente do TJ, Antoniassi é experiente. Ele já presidiu mais de 100 júris e merece a confiança do Tribunal.
Antes de abandonar o plenário, por volta das 18h45 de anteontem, Borges Júnior havia afirmado que tomaria tal atitude se não houvesse ampla defesa dos acusados. Depois de duas discussões, o advogado cumpriu a ameaça. Se eu estou só de marionete, eles que continuem, disse ontem. O primeiro bate-boca começou quando Borges fazia perguntas à testemunha de acusação, o diretor do Instituto Médico Legal de Curitiba, Francisco Moraes.
O advogado de defesa queria que Moraes afirmasse que havia indução num interrogatório feito pela P2 (serviço secreto da Polícia Militar) depois de assistir uma fita de vídeo. Os assistentes de defesa e os promotores protestaram impacientemente. Moares afirmou que havia indução, o que provocou uma discussão inflamada. Por causa do bate-boca, o juiz suspendeu o julgamento por cinco minutos. A sessão ficou interrompida outros 20 minutos por problemas elétricos.
Quando o julgamento recomeçou, Borges quis continuar assistindo a fita de vídeo. Moraes seria indagado se havia ocorrido tortura. As perguntas de Borges Júnior geraram um novo bate-boca, que quase acabou em agressão física. Para conter os ânimos, o juiz determinou a entrada da Polícia Militar no plenário. O advogado de defesa diz que entendeu a entrada da PM como uma ameaça. O juiz afirmou que se houvesse baderna, ele ia prender. Recebi isso como uma ameaça. Se eu continuasse na minha linha de raciocínio, ele ia me prender, disse.
O advogado fez novas perguntas sobre tortura, que foram indeferidas pelo juiz. Borges, então, retirou a toga e deixou o plenário. Por telefone, comunicou sua atitude ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Paraná. O julgamento foi cancelado pouco depois das 19 horas, antes da chegada do vice-presidente da OAB, subseção Curitiba, Elias Mattarassadi, chegar ao Fórum. O juiz Marco Antoniassi foi procurado pela Folha ontem, mas não foi encontrado.Álvaro Borges Júnior abandonou o plenário do Fórum, provocando o cancelamento do júri. Juiz não deve ser afastado do caso
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