Paulo Pegoraro
A Justiça da Comarca de Capanema, no Sudoeste do Paraná, condenou pela segunda vez o investigador de polícia José Carlos de Souza. A sentença contra o ex-delegado Rubens Lachowski (da qual ele recorreu) está sendo mantida pelo Tribunal de Justiça (TJ). Nos dois casos, os policiais foram condenados por crimes contra menores praticados até mesmo dentro da delegacia. Foi condenado por extorsão contra um agricultor o informante (alcaguete) Reinaldo Ribas Cursio, que responde outro processo por usurpação de função pública. Cursio, que teve o direito de apelar em liberdade, ainda estaria atuando indevidamente na função.
Promotores de Capanema que informaram ontem o desdobramento dos três casos, relataram que José Carlos de Souza, que está preso em Francisco Beltrão, foi sentenciado a 3 anos e 6 meses no novo processo, por manter relações sexuais com uma adolescente e por fornecer a outros bebidas alcoólicas na própria delegacia. Souza também foi condenado à perda do cargo público, e assim que a sentença transitar em julgado, deverá cumprir pena em regime semi-aberto. No início de junho, ele havia sido condenado a 4 anos e 6 meses (e à perda de função) por fumar maconha com adolescentes na delegacia.
Em relação ao ex-delegado Rubens Lachowski, que já esteve preso, o TJ cassou liminar concedida em abril em pedido de habeas-corpus, depois de condenado por estupro contra menor e fornecimento de bebidas alcoólicas a menores, entre outros crimes. O TJ cassou a liminar por dois votos a um. Falta apenas a apresentação do voto vencido (do desembargador Cláudio Nunes do Nascimento) para que a decisão seja publicada, ocorrendo então a prisão do ex-delegado. Nas denúncias contra os policiais e o alcaguete atuaram os promotores Jorge César de Assis, Aline Bohr e Guilherme Teixeira.
Reinaldo Ribas Cursio foi condenado a pena de 4 anos e 6 meses. Documentos da Polícia Militar (PM) recebidos pelo Ministério Público de Capanema indicam que Cursio foi encontrado ‘‘trabalhando’’ na Delegacia de Polícia de Boa Vista da Aparecida (Oeste do Estado). Segundo um promotor, a PM obteve recibo assinado por ele de atendimento de uma ocorrência e de entrega de objetos apreendidos. O promotor Jorge César de Assis observa que alcaguetes só atuam como policiais ‘‘quando têm eventual apoio ou conivência dos próprios policiais’’.

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