A 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ), em Curitiba, decidiu ontem que a artista plástica Wanda de Souza Pepiliasco será levada a julgamento popular pelo assassinato da empregada doméstica Cleonice de Fátima Rosa. Os três desembargadores julgaram o recurso apresentado pelo advogado Antonio Carlos Vianna contra o pronunciamento da acusada por homicídio qualificado por crueldade, determinado pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Londrina, João Luiz ClSve Machado. A pena para o homicídio qualificado varia de 12 a 30 anos e para homicídio simples, a previsão de pena cai para seis a 20 anos.
Cleonice de Fátima Rosa foi degolada em 10 de julho de 93 no Edifício Maison de Savigny, centro da cidade – onde morava a família Pepiliasco. Exames de DNA feitos nos fios de cabelo encontrados nas mãos da vítima apontaram Wanda Pepiliasco como a principal suspeita pelo crime. Dois dias depois do crime, a colega de Cleonice, Luzia Colombo, teria confessado à polícia a autoria do assassinato, mas depois denunciou que foi torturada por policiais civis para confessar o crime. Na época, o delegado Nelson Hummig pediu a prisão da empregada, mas o Instituto Médico Legal (IML) comprovou que os resíduos de sangue e pele encontrados nas unhas da vítima não eram de Luzia.
A defesa da artista plástica apresentou ao TJ um recurso em sentido estrito, contra a sentença de pronúncia e ontem os três desembargadores da 2ª Câmara Cível deram provimento parcial ao recurso. Segundo o TJ, o relator do processo, desembargador Carlos Augusto Hoffmann, vai lavrar seu voto hoje e depois a decisão se torna pública. ‘‘O TJ julgou no sentido de excluir da sentença os exageros contidos na pronúncia que a indicavam como autora ou culpada e a qualificadora da crueldade. O Tribunal entendeu que isso é competência do Tribunal do Júri’’, disse Vianna, que tentou o ‘‘impronunciamento’’ de Wanda Pepiliasco.
Segundo o advogado, ainda existe um questionamento sobre o exames de DNA feitos em fios de cabelo encontrados nas mãos de Cleonice e que segundo os laudos pertenciam a acusada. Antonio Carlos Vianna afirmou que existe um questionamento no Tribunal Superior de Justiça (STJ), que teria anulado o exame e revalidado três anos depois pelo TJ. ‘‘O processo está em dois a dois, estamos empatados’’, comparou. Vianna acredita que até o final de setembro o STJ irá julgar o recurso da defesa. ‘‘Se o exame for anulado, a pronúncia cai de novo’’, resumiu. O advogado disse ainda que irá esperar a publicação do acórdão do relator para avaliar a decisão.
Ontem, no final da tarde, a Folha não conseguiu falar com o juiz da 1ª Vara Criminal, João Luiz ClSve Machado. No apartamento de Wanda Pepiliasco, seu marido, Lauro Pepiliasco, informou que a artista plástica está viajando.

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