O presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, desembargador Henrique Chesneau Lenz César, cassou ontem à tarde a liminar que proibia a circulação do boletim informativo da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Cerca de dois mil boletins que estavam sendo distribuídos no câmpus de Maringá foram apreendidos anteontem por determinação do juiz da 3ª Vara Cível do Fórum de Maringá, Flavio Renato Correia de Almeida.
O informativo traz um artigo do reitor Luiz Antonio de Souza com críticas aos candidatos a reitor e vice-reitor da chapa de oposição. A eleição na UEM acontece hoje no câmpus de Maringá, nas extensões de Goioerê e Cianorte, e em Cidade Gaúcha, onde a universidade tem um centro de pesquisa na área de agronomia e zootecnia.
Marcos NegriniCríticasReitor Luiz Antonio de Souza, autor do artigoPara o desembargador Lens César, o recolhimento do material causa prejuízo moral ao reitor da instituição, uma vez que impede o direito dele se manifestar sobre o processo eleitoral interno. Ele alega ainda que liberando o informativo estará contribuindo para que a comunidade universitária examine o conteúdo do artigo, exercendo livremente o direito de voto.
No artigo com o título ‘‘Ser reitor exige perfil que inexiste na oposição’’, Souza insinua que os candidatos a reitor e vice-reitor da chapa ‘‘Opção Democrática’’ não apresentam um perfil ideal para assumir a administração da UEM por falta de honestidade, sensibilidade, equilíbrio, inspiração/inteligência, justiça e visão abrangente. O reitor afirma que a chapa de oposição não usa de honestidade ao destacar episódios da atual administração que foram superados, como o caso do convênio da universidade com a Frema, uma empresa que treinava mão-de-obra para a montagem de casas pré-fabricadas no Japão.
Medida antiética De acordo com o candidato a reitor pela chapa ‘‘Opção Democrática’’, Luiz Alberto Araújo, a distribuição do informativo nas vésperas da eleição foi uma medida antiética. Segundo ele, o reitor usou o órgão oficial da universidade que é feito com dinheiro público para fazer campanha para a chapa ‘‘Ser UEM’’.
‘‘Ele fez campanha para a outra chapa na medida em que criticou a chapa de oposição’’, disse. Para Araújo, a intenção do reitor em fazer campanha através do informativo da UEM ficou clara com a antecipação da entrega no campus universitário. ‘‘O informativo é distribuído todas as quintas-feiras, mas só que este número começou a ser distribuído na terça-feira apesar de ter data de quarta-feira. A antecipação foi de próposito’’.
O reitor refutou as acusações e disse que elaborou o artigo para se defender das acusações contra ele, feitas pela chapa ‘‘Opção Democrática’’. Souza também usou o termo antiético para criticar a atitude dos candidatos da oposição em pedir a apreensão do informativo.
‘‘Usei o informativo da UEM porque ele é feito pela assessoria da universidade e porque é um direito do reitor expor suas idéias neste impresso. Se tivesse feito panfletos para me defender, aí sim, estaria fazendo campanha’’. Para Souza, os candidatos da chapa de oposição não estão sendo democráticos. ‘‘Eles foram arbitrários porque nunca aqui na UEM ninguém foi cerceado do direito da palavra. Só que ao mesmo tempo que eles pedem a apreensão do informativo, na manhã seguinte (ontem), eles distribuem um outro panfleto explorando a apreensão do material. Eles podem se defender, eu não?’’, desabafou.
A eleição para reitor e vice-reitor da UEM acontece hoje, a partir das 8 horas, no câmpus de Maringá. Nos demais órgãos da universidade o horário de votação será diferenciado. No total, 14.090 pessoas entre alunos, professores e funcionários da UEM têm direito ao voto. A apuração dos votos começa às 23 horas de hoje e a previsão é de que seja encerrada três horas depois.

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