TJ autoriza funcionamento de antena celular
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sábado, 17 de novembro de 2001
Betânia Rodrigues<br>De Londrina 
O Tribunal de Justiça (TJ) autorizou a Global Telecom S/A a operar a antena de telefonia celular instalada no Jardim Presidente, zona oeste de Londrina. A decisão foi divulgada no começo da semana, mas até ontem os moradores do bairro ainda não sabiam da novidade.
O funcionamento da antena estava proibido desde abril por causa de um embargo proposto pela Secretaria Municipal de Obras. Segundo a lei de zoneamento nº 7.485/98 contida no Plano Diretor, o Jardim Presidente é uma área estritamente residencial. Na época, a justificativa apresentada pelo secretário Luiz Carlos Bracarense é que as antenas são uma extensão de atividade comercial, por isso não podem ser instaladas em qualquer região da cidade.
No dia 26 de julho, o prefeito sancionou a lei nº 8.462 que definiu as normas para a instalação de equipamentos transmissores de ondas eletromagnéticas (telefonia celular e fixa, rádio e televisão). No entanto, a advogada Helena Rosa Tondinelli afirma que a lei não vem sendo cumprida. De acordo com ela, os aparelhos que medem a radiação e a verba compensatória de R$ 5 mil/mês ainda não foram enviados pelas empresas de telecomunicação que atuam na cidade. ''Nosso grupo de estudo se reúne na próxima semana para definir de que forma vamos cobrar isso das autoridades'', adiantou a advogada dos moradores dos Jardim Mazzei e Alcântara (zona sul).
Para Terezinha Ávila Nunes e Leandro Jeatte, vizinhos da antena do Jardim Presidente, o equipamento sempre funcionou. ''É comum acordarmos às 6h30 com o barulho de funcionários que, às vezes, trabalham até as 21h30. Fora isso, existe um aparelho de ar-condicionado que emite um barulho irritante dia e noite e não nos deixa descansar'', reclamou Jeatte ao prometer uma resposta dos moradores à decisão do TJ.
Embora incomode, o barulho não é a maior preocupação da comunidade. Ela teme que as ondas eletromagnéticas causem prejuízos à saúde e desvalorizem as construções. O cardiologista Icanor Antonio Ribeiro diz que não é contra o desenvolvimento tecnológico desde que ele não influa na qualidade de vida das pessoas. ''Será que não havia áreas mais adequadas para a instalação desses equipamentos? Eles oferecem segurança? E se no futuro descobrirmos que essa radiação é realmente perigosa? São perguntas que nunca foram respondidas satisfatoriamente, o que demonstra o desrespeito conosco.''
Terezinha conta que pretende mudar para uma casa menor até o final do ano, mas tem medo de não conseguir alugar a atual. Uma das razões de sua indignação é que há alguns anos a prefeitura negou uma licença para que ela construísse o consultório odontológico da filha ao lado de casa. A justificativa dada é que o bairro não permite atividade comercial. ''Hoje em dia, ela é obrigada a alugar uma sala no centro da cidade'', completou.
O vice-presidente da Global, Amilcar Piazzetta Marques, disse que está preparado para enfrentar novos recursos judiciais e que a empresa mantém os planos de expansão em Londrina. A cidade possui mais de 100 mil usuários de telefonia celular e metade deles é cliente da Global, que tem 12 antenas e duas microcélulas instaladas nas zonas urbana e rural.


