TJ anula processo e solta sindicalistas
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quinta-feira, 18 de outubro de 2001
Betânia Rodrigues<br> De Londrina 
Os três sindicalistas de Londrina que estavam presos há 117 dias, acusados de extorquir R$ 200 mil da Usina Central do Paraná, de Porecatu (85 km de Londrina), foram soltos ontem à tarde. Segundo os advogados Fábio Franz e Giovani Macedo, que defendem Evanildo Pinto Rodrigues, presidente afastado do Sindicato dos Rodoviários, o processo com mais de mil páginas está integralmente anulado, segundo um acórdão do Tribunal de Justiça.
Além de Rodrigues, também foram soltos Daniel Malaquias e Claudemir Arriero, diretores do sindicato. A anulação do processo e a liberdade dos três sindicalistas se devem à suspeita de parcialidade do juiz Evandro Luiz Camparoto, que se afastou do caso e está sob investigação da Corregedoria-Geral de Justiça. Gravações telefônicas apresentadas pela defesa sugerem que o juiz tinha uma ligação com o diretor da usina de Porecatu, Jaime Planas Navarro.
Segundo os advogados, ''para efeito judicial não existe nada contra eles (os sindicalistas).'' As atenções agora se voltam para o Ministério Público, que pode oferecer novamente a denúncia anterior, substitui-la por outra ou arquivar o caso. A usina também pode entrar com uma ação pública subsidiária diretamente ao juiz da comarca, pedindo a retomada do processo.
''Começo uma fase nova da minha vida. Sinto que mudei muito e hoje vejo as pessoas com outros olhos. Estou mais alerta porque tenho certeza que posso confiar apenas em pouquíssimas pessoas'', afirmou Evanildo Rodrigues, duas horas depois de ter deixado a cadeia de Porecatu. Apesar de revoltado com a ''humilhação'' que sofreu, ele diz que está em paz e não quer vingança.
A esposa do sindicalista, Augusta Benedito Rodrigues, disse que os quatro meses de prisão do marido pareceram dez anos para a família. ''Nesse período rodei aproximadamente 20 mil quilômetros para visitá-lo'', lembra aliviada.
Rodrigues está afastado da presidência do sindicato desde a prisão. O advogado Fábio Franz acredita que a liberdade dos sindicalistas desagradará alguns associados ''suspeitos de ligação com a usina''. Os sindicalistas e os advogados continuam apreensivos por causa das contínuas ameaças de morte que vêm sofrendo. ''Eles (da usina) já disseram que nossa conquista não iria passar em branco'', frisou Rodrigues.


