James Alberti
De Curitiba
O Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná anulou ontem a decisão dos júris que condenaram os policiais Airton Adonsk Júnior e Reinaldo Siduovsk pelo assassinato do estudante Rafael Zanella, 20 anos. Adonsk e Siduovsk haviam sido condenados a 21 anos e 39 anos de prisão, respectivamente. Parte dessas penas, referiam-se ao homicídio. Agora, os dois irão a novo julgamento, mas continuam presos.
Na mesma sessão, os desembargadores do TJ também reduziram as penas dos crimes de tortura, alteração do local de crime e denúncia caluniosa. A pena de reclusão de Adonsk nessas condenações baixou de 20 anos e três meses para 14 anos e 19 meses. A de Siduovsk, foi reduzida de 13 anos para nove anos e quatro meses.
Rafael Zanella foi morto com um tiro na cabeça numa tentativa de extorsão no dia 28 de maio de 1997. A decisão do tribunal anula os únicos julgamentos que tinham sido realizados, embora já tenham se passado dois anos e quatro meses. Na época do assassinato, o governador Jaime Lerner e o secretário da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, visitaram a família e afirmaram que os responsáveis seriam punidos com rigor.
O julgamento do recurso começou às 15 horas e durou 1h30. A mãe do estudante, Elisabetha Zanella, acompanhou a sessão ao lado do marido, César Zanella. Após a decisão, ela chorou copiosamente. ‘‘Quantos inocentes vão ter que pagar com a vida para que as coisas mudem um pouco?’’, perguntava. ‘‘Eles acabaram com nossa vida e isso vai continuar enquanto vivermos.’’ Elisabetha disse lamentar o fato de ter que passar novamente por outro julgamento dos mesmos acusados. ‘‘Lamento que eu e o César tenhamos que passar o resto de nossas vidas cobrando a Justiça’’, disse.
O argumento dos advogados de defesa foi o de que as sentenças não tinham sido em conformidade com as provas e que a pena é muito elevada. No recurso, eles alegaram que a denúncia não era verdadeira, que os jurados haviam se comunicado entre si e que Elisabetha não poderia ser testemunha e assistente de acusação ao mesmo tempo. Estes pedidos foram negados pelos desembargados. No entanto, a tese de que Adonsk e Siduovsk não tinham participado do assassinato foi aceita.
O advogado da família Zanella, Júlio Militão da Silva, que trabalha como assistente de acusação no caso, não concorda com a decisão do TJ. Para ele, os policiais assumiram o risco de uma tragédia ao levar para a blitz duas pessoas que não eram policiais. Uma delas, o funcionário público estadual Almiro Deni Schmidt, efetuou o disparo que matou Rafael. Militão afirmou ainda que Adonsk era o chefe do grupo e tinha, por isso, a responsabilidade sobre a ação.
Militão da Silva adiantou que no dia 19 de setembro deve ocorrer o depoimento de testemunhas de defesa do delegado Maurício Bittencourt Fowler. O delegado é acusado de ser o mentor da farsa que tentou ligar o estudante ao tráfico e consumo de drogas.
Pedido negado – O TJ negou ontem o pedido dos advogados do policial militar Osvaldo Barbosa Rodrigues, que pretendiam evitar que o acusado fosse julgado num júri popular. Rodrigues é acusado de matar a própria mulher, Solange Veloso Rodrigues, com um tiro na boca.
O crime aconteceu no dia 26 de fevereiro de 1997. Solange estava casada com o policial há dois anos. Conforme o relatório do Fórum Contra a Violência, Rodrigues ainda trabalha na PM. É também segurança de um shopping center, trabalhando armado nos dois lugares.Adosnk e Siduovsk irão a júri novamente, desta vez, sem a acusação de crimes de tortura e alteração do local do assassinato
Mauro FrassonSofrimentoOs pais de Rafael, Elisabetha e César, não se conformam com a decisão: ‘‘eles acabaram com nossa vida’’

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