TJ anula absolvição de comerciário
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quarta-feira, 10 de junho de 1998
Sid Sauer 
O comerciário Fábio Henrique Afonso, o Binho, 26 anos, vai ser submetido a um novo julgamento sob a acusação de ter participado do atentado, em junho de 1995, contra o então prefeito de Goioerê (72 km a oeste de Campo Mourão), José Paulo Noaves (PDT). A decisão foi tomada pelo Tribunal de Justiça do Estado, que anulou o primeiro julgamento, em maio do ano passado. Dos três acusados já julgados, Binho foi o único absolvido.
A anulação havia sido pedida pelo promotor Nelsino Moura Oliveira, que entrou com um recurso contra a sentença. O promotor alegou que a absolvição contrariava as provas contidas no processo. Segundo o juiz Nestário da Silva Queiroz, os autos do processo ainda não retornaram de Curitiba. Só depois que eles chegarem ao Fórum de Goioerê é que o juiz vai marcar a data para o novo julgamento. Será no segundo semestre, adianta o juiz.
Na época do primeiro júri, a absolvição de Binho causou surpresas, uma vez que os outros dois acusados julgados pegaram penas pesadas. Ademílson de Souza Pereira, o Paraíba, que assume o disparo dos tiros, foi condenado a 18 anos e dois meses de prisão, e Ronaldo Wilson Hernandes, acusado de dirigir o carro que levou Paraíba ao local do atentado, pegou 17 anos e seis meses. Paraíba também teve o primeiro julgamento anulado, mas a sentença foi mantida no segundo julgamento, em fevereiro.
Foragido Binho, que na ocasião era assessor do então vereador Edilaldo Machado da Cruz, é acusado de ter ido buscar num estacionamento a arma usada no atentado. Ele também é acusado de ter seguido o então prefeito para dizer a Paraíba onde deveria ser feito os disparos. O atentado aconteceu na noite de 14 de junho de 1995 dentro de um restaurante no centro de Goioerê. José Paulo Novaes ficou ferido e a comerciante Neuzely Farias morreu no tiroteio.
O ex-vereador Edilaldo Machado da Cruz, que é acusado de ser o mandante do atentado, é o único dos quatro envolvidos que ainda não foi a júri. Ele fugiu antes de ter prisão preventiva decretada pela Justiça. Cruz já responde na Justiça por outro homicídio. Em 1990, quando estava no primeiro mandato, ele matou a tiros, em frente à Câmara de Vereadores, o radialista e vereador Wálter Aparecido Carbonieri. Mesmo assim, foi reeleito e chegou à presidência da Câmara.


