TJ acata recurso e os irmãos Bonfim vão a novo julgamento
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terça-feira, 14 de janeiro de 1997
Paulo Ubiratan 
A 1ª Câmara do Tribunal de Justiça do Paraná, presidida pelo desembargador Naser de Mello, acatou o recurso para novo julgamento dos irmãos Adir Nestor Bonfim, advogado, e José Beno Bonfim. O advogado foi acusado pela morte de Luis Barbosa, em 14 de maio de 94. O irmão do advogado foi julgado por ocultação do cadáver da vítima.
Em julgamento que durou 14 horas, realizado em 95, Adir Nestor foi condenado a sete anos de reclusão em regime semi-aberto, e José Beno foi absolvido. A então promotora da 1ª Vara Criminal, Solange Novaes Vicentin, e o assistente de acusação, Vicente de Paula Normam Gomes, solicitaram novo julgamento ao Tribunal por achar que as penas foram brandas.
A defesa de Adir Nestor esteve a cargo do criminalista Marcelo Leal, que sustentou a tese de legítima defesa do réu. O advogado carioca Walter Bittar trabalhou na defesa de José Beno e neutralizou o envolvimento do réu no crime, sustentando falta de provas nos autos.
Na época, o júri foi recheado de inovações. O advogado Marcelo Leal invocou o direito do réu em sentar ao seu lado e, pela primeira vez no Paraná, a computação gráfica foi usada em um júri popular.
O Conselho de Sentença, composto por sete jurados do sexo masculino, não acatou a tese sustentada pela acusação, de que o crime teria sido praticado por motivo fútil de forma hedionda. Os jurados desqualificaram o crime para homicídio simples.
Conforme os autos, Adir disse que matou Barbosa por ter sofrido assédio sexual. Ambos moravam em uma mesma casa. Antes do crime houve luta corporal entre eles e o réu acabou matando a vítima com uma facada no pescoço.
O advogado disse que estava dormindo, quando foi surpreendido pela vítima, que estava nua, ajoelhada sobre sua cabeça. Adir disse que pediu ajuda a José Beno para se livrar do corpo. O irmão, perante o juiz, negou qualquer participação no crime.


