Josoé de CarvalhoNova próteseRicardo Fujimoto e Feis Feres Júnior, especialistas em implantes dentários: técnica teve grande evolução nos anos 80, quando pesquisador sueco desenvolveu uso dos parafusos de titânio para fixar dentes artificiaisDurante décadas e décadas, os pesquisadores da área odontológica buscaram, no mundo todo, a melhor maneira de se implantar um dente artificial em substituição ao natural sem possibilidade de recuperação. As técnicas desenvolvidas não chegavam a resultados completamente positivos. O maior problema sempre foi o da rejeição humana ao material usado para a fixação do novo dente no osso da boca do paciente.
Nos anos 80, um cientista sueco desenvolveu - a partir de estudos com ossos da tíbia de coelhos - uma técnica de implante com a utilização de parafusos feitos com titânio, um metal leve e muito resistente. O pesquisador descobriu que esse material possibilita uma colagem perfeita do dente artificial sem provocar a rejeição. ‘‘O titânio, em contato com o osso, provoca uma união físico-química e biológica perfeita, sem qualquer tipo de rejeição’’, explica o especialista em cirurgias de traumatologia máxilo-facial e professor de Odontologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Feis Feres Junior.
Ele é sócio do especialista em prótese dentária Ricardo Fujimoto. Ambos trabalham em uma clínica especializada em implantes dentários que atende apenas clientes particulares. ‘‘Esta técnica da utilização de parafusos de titânio já é comum e a mais recomendada atualmente. Se usada com equipamentos modernos, em um minicentro cirúrgico, traz resultados muito bons. O sucesso do implante é garantido em cerca de 98% dos casos, quando feitos na arcada dentária inferior. E em perto de 90% na parte superior’’, afirma Ricardo Fujimoto.
Ele comenta que atualmente os dentes artificiais implantados normalmente são produzidos em porcelanas e resinas. Os maiores usuários deste serviço são pessoas com mais de 50 anos. ‘‘Dificilmente há a necessidade de implante de dentes em jovens, o que só ocorre em consequência de acidentes graves.’’
Também preocupados com a sistemática reciclagem da mão-de-obra profissional na área odontológica, eles iniciaram nesta semana a promoção de cursos sobre implantes com a participação de professores do campus de Bauru da Universidade de São Paulo (USP). ‘‘Superado o problema da rejeição e a fase de calcificação óssea, que leva perto de seis meses, o dente artificial implantado pode durar o resto da vida do paciente. É lógico que a vida útil destes dentes, como a dos outros, depende de uma boa higienização. Mas eles são feitos para uma longa durabilidade’’, ressalta Feis Feres Junior.
Sem precisar os valores e números, ele comenta que o preço de um implante tornou-se acessível a boa parte da população e que a procura por este serviço odontológico tem aumentado muito nos últimos anos. ‘‘Outra grande vantagem do implante é que o dente artificial não gera desgaste nos dentes vizinhos. Agora, uma condição básica para o candidato ao implante é que não seja fumante. A nicotina do cigarro provoca menor afluxo de sangue na boca, o que aumenta em muito a possibilidade de infecções e inflamações pós-cirurgia’’, dia Feis Junior. ‘‘É necessário que a pessoa fique sem fumar pelo menos 20 dias antes e 20 dias depois do implante. É bom porque, assim, ele aproveita e já pára de fumar definitivamente.’’
De acordo com outros dentistas - que não querem ser identificados por questões éticas -, um implante com material de qualidade e realizado por profissional competente custa cerca de R$ 2 mil.
(Osmani Costa)

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