Tiroteio em banco causa pânico
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Mais de 50 clientes da agência central do Banco do Brasil em Londrina, localizada no Calçadão, ficaram reféns por 15 minutos de um assaltante em fuga na tarde de ontem. Gabriel Ferreira dos Santos, 28 anos, tomou a arma de um sargento da Polícia Militar e tentou se esconder no banco. A agência rapidamente foi cercada por policiais e Santos, na troca de tiros, foi atingido por nove disparos. Além dele, outras quatro pessoas saíram feridas.
Segundo relato do sargento da PM, Francisco da Silva, Santos o rendeu em frente ao número 473 do Calçadão. O policial contou que o rapaz encostou uma arma em sua nuca. ''Eu saí de lado, peguei no cano do revólver e entramos em luta corporal. Ele pegou minha arma, deu dois tiros e saiu correndo.'' Os projéteis passaram por cima do ombro do policial e uma das balas atingiu a parede de uma loja de tecidos.
Empunhando as duas armas, Santos tentou fugir correndo e abandonou sua mochila no Calçadão. Dentro da bolsa, foram encontradas algumas peças de roupa, uma rede, objetos pessoais e uma bíblia. Na quadra seguinte, o fugitivo se deparou com uma viatura do Pelotão de Choque que vinha em sentido contrário e decidiu invadir a agência do Banco do Brasil, que estava repleta de clientes. Ele entrou atirando, rendeu um vigilante e roubou a terceira arma. Tentou passar pela porta giratória mas não conseguiu. Ele voltou e fez reféns mais de 50 clientes que aguardavam nas filas dos terminais eletrônicos de atendimento.
Policiais militares rapidamente cercaram a agência e começaram a trocar tiros com o fugitivo. Três partes da vidraça do banco foram estilhaçadas pelos disparos. Centenas de pessoas que passavam pelo local foram surpreendidas pela troca de tiros e entraram em pânico, correndo apavoradas em todas as direções.
Testemunhas que estavam na agência disseram que o assaltante gritava para que os policiais jogassem as armas no chão. Mesmo assim, ele continuava atirando. O sargento do Pelotão de Choque, Marcos Johas, declarou que seus homens não tiveram chances para negociar com o fugitivo. ''Tentamos iniciar uma negociação mas ele estava ensandecido'', completou. De acordo com o sargento, um de seus homens se posicionou e esperou o melhor momento. Quando Santos teve um momento de distração e se afastou de um grupo de reféns, o policial disparou, acertando nove tiros no fugitivo. Todos os reféns foram liberados.
Seguindo uma nova determinação do comando, os tiros acertaram as pernas e o punho esquerdo de Santos. Ele teve fratura exposta do fêmur e, até o fechamento desta edição, passava por cirurgia na Santa Casa mas não corria risco de morte. Outras quatro pessoas saíram feridas sem gravidade. Todos foram liberados após receber atendimento médico.
O delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial, Jorge Barbosa, tentou interrogar o assaltante no hospital, mas ele nada declarou. Santos é natural de Carinhanha, município baiano que faz divisa com Minas Gerais. Ainda estava sendo apurado se ele tinha antecedentes criminais.
A superintendência do Banco do Brasil não se pronunciou. A agência ficou fechada para o público durante algumas horas.


