Tiroteio durou quase todo o dia em Laranjal
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sábado, 28 de novembro de 1998
Marccio W. Varella 
Um sem-terra e um jagunço morreram e dois pistoleiros ficaram feridos ontem em confronto no assentamento do Incra localizado na Fazenda Pedra Branca, no município de Laranjal, de 9 mil habitantes (a 140 km de Guarapuava). A morte do sem-terra José Rodrigues, 17 anos, foi confirmada pelo delegado de Laranjal Sidnei Galvão de Almeida e pelo líder do assentamento Chapadão, vizinho ao da Pedra Branca, Valmir Scapiarini.
O comandante da guarnição (21 homens) da Polícia Militar de Pitanga, capitão Edson Solak, confirmou a morte de um pistoleiro, mas não soube informar seu nome. Segundo ele, ficaram feridos e não haviam deixado o local até o final da tarde de ontem os pistoleiros Nelson Marães, conhecido como Polaco, e Orestes Ferreira de Souza. Não se sabe a gravidade do ferimento deles. O superintendente do Incra Petrus Emile Abi Abib confirmou a morte do pistoleiro e também não sabia o nome do jagunço.
Segundo o capitão Solak, às 16 horas de ontem uma unidade do Grupo de Operações Especiais da PM deixou Guarapuava em direção à Fazenda Pedra Branca, onde chegou por volta das 17h30. O delegado de Pitanga Messias da Rosa também se dirigiu ao local (distante 110 km).
O líder do assentamento Chapadão Valmir Scapiarini contou à Folha que a briga entre os sem-terra da Pedra Branca e Antônio Martins, um antigo arrendatário da fazenda, começou há mais de um ano, quando o Incra autorizou o assentamento. A fazenda foi desapropriada e Martins, que havia recebido 150 alqueires do antigo dono da Pedra Branca, perdeu o direito às terras. A fazenda foi comprada pelo Incra e entregue a 63 famílias de sem-terra, que estão lá até hoje.
Mas o Antônio Martins formou uma gangue com 30 pistoleiros e há um ano ameaça as famílias. Ontem, às 11 horas, ele tocaiou oito ou nove sem-terra que foram pegar gado para tirar leite. Um deles, um rapaz, José Rodrigues, levou um tiro na boca do estômago e morreu. Um outro levou tiro lá no meio do feijoal e ninguém sabe dele. Deve ser um dos pistoleiros. O que eu sei é que tem quatro fugitivos da cadeia de Curitiba entre os pistoleiros do Martins. O lagarto ainda tá fervendo aqui, afirmou o sem-terra. Até às 16 horas de ontem o confronto armado ainda não havia terminado. É uma guerra de tocaias, disse o delegado Almeida. Não dá pra saber se morreu mais gente ou quantos estão feridos.
O superintendente do Incra confirmou a história do sem-terra. Martins não tinha mais direitos. Já havíamos desapropriado a área. Como insistia em ficar, ajuizamos uma ação contra ele na Justiça Federal, pedindo que a PM o retirasse de lá. Isso faz tempo. Mas não fizeram nada, disse Abib. Segundo ele, a responsabilidade pela retirada de Antônio Martins é da Secretaria de Segurança Pública do Estado.
O capitão Solak disse que a região do conflito é um elo perdido no Paraná, nada funciona, nem telefone celular, a comunicação é muito difícil. Ele acreditava que até o final da tarde de ontem, com a chegada da PM, o conflito teria fim. O delegado Almeida disse que já recebeu uma série de queixas contra Martins. Todas foram encaminhadas ao Fórum de Palmital, mas parece que não fizeram nada porque deu no que deu, né?.


