Troca de tiros entre policiais militares e uma dupla de assaltantes aterrorizou ontem à tarde, por mais de duas horas, moradores da vila Iara (zona leste). Às 14 horas, dois ladrões haviam assaltado o taxista Fernando Aparecido de Almeida. O taxista foi trancado no porta-malas do seu próprio carro, um Gol cinza escuro, placa AEV 3157.
Gilmar Palhano e o menor C.P.N. foram reconhecidos como os ladrões do carro do taxista quando trafegavam com o veículo pela avenida Dez de Dezembro. Os policiais militares deram início à perseguição e à troca de tiros.
A perseguição policial começou a ser feita pela viatura que trazia presos os homens acusados de assaltar, na manhã de ontem, a agência do banco HSBC Bamerindus em Sertanópolis (ver matéria no caderno Folha Cidades). Os policiais viram os dois ladrões no táxi e resolveram fazer uma abordagem. Foram recebidos a tiros.
Nas proximidades da sede do Detran, na avenida Brasília (BR-369), os ladrões abandonaram o táxi e correram em direção à vila Iara, onde invadiram diversas casas. ‘‘Durante todos os momentos do tiroteio, pensei que iria acontecer uma tragédia comigo. Pedi a Deus para não morrer’’, disse o taxista. Ele contou que conseguiu sair do carro pelo tampão do banco de trás, quando o Gol foi abandonado na rodovia.
Os ladrões roubaram R$ 250,00, a jaqueta e uma corrente de ouro do taxista, que foram recuperados pela polícia. Na procura pelos fugitivos, policiais vasculharam a maioria das casas da rua Aratinga.
Um dos ladrões, Gilmar Palhano, conhecido como ‘‘Neguinho’’, foi ferido no braço depois de descarregar sua pistola 7.65 contra os policiais. Ele foi preso no pátio de uma residência da rua Aratinga. Neguinho foi levado ao Hospital Universitário, onde permaneceu internado. Segundo a equipe médica, ele não corre risco de vida. O menor C.P.N., 14 anos, companheiro de Neguinho, conseguiu fugir do cerco policial, mas foi detido logo em seguida, escondido entre a folhagem do jardim de outra residência na mesma rua. O menor afirmou que somente Neguinho estava armado.
Durante o tiroteio, por diversas vezes as armas dos policiais falharam, devido à má qualidade da munição. As agulhas dos gatilhos somente ‘‘pipocavam’’ na espoleta dos cartuchos. Nenhum dos policiais quis falar a respeito do problema com a munição e as armas.
Fernando Aparecido trabalha em um ponto na frente da Prefeitura de Londrina, na avenida Duque de Caxias (área central). Ele foi chamado pelo rádio-taxi Faixa Vermelha para atender uma corrida no jardim União da Vitória (zona sul). Fernando contou que não costuma atender chamadas daquele bairro, pois tem medo de assalto. O União da Vitória tem fama de ser um dos bairros mais violentos de Londrina e é estigmatizado pela pobreza de seus moradores.
‘‘Jamais imaginei que iria ser assaltado, pois era dia claro. A princípio eu quase passei a corrida para outro colega. No entanto, por causa da falta de serviços em nosso setor e as dificuldades financeiras que estou passando, resolvi arriscar.’’
O taxista disse que os dois ladrões entraram no táxi e pediram que ele fosse para o jardim Santa Fé (zona oeste) do outro lado da Cidade. Nas proximidades daquele bairro, os dois deram voz de assalto ao taxista e o colocaram no porta-malas. O menor de idade, preso depois do assalto, disse que ligou para o rádio-taxi a pedido de Neguinho, pois os dois estariam sem dinheiro e desempregados. O rapaz contou que não tinha passagem pela polícia. ‘‘A minha família está passando fome, não tenho emprego e ninguém me ajuda, por isso aceitei o convite do Neguinho. Era só para pegar um dinheirinho.’’

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