As 350 famílias de sem-terra que ocupam a Fazenda 7 Mil, em Jardim Alegre (110 km ao sul de Apucarana) temem pelo confronto a qualquer momento. Anteontem, seguranças deram vários tiros, segundo os sem-terra, contra as guaritas de proteção do acampamento e na direção de uma área preparada para o plantio de milho.
Ninguém ficou ferido no tiroteio, que durou mais de duas horas. ‘‘Ao que tudo indica o objetivo é intimidar, ou provocar os acampados. Apesar do medo, vamos continuar firmes na fazenda, aguardando a demarcação da área’’, afirmou João Orzechesvoski, um dos líderes.
O advogado Elso Bittencourt, da Rede Autônoma de Advogados Populares do Paraná, registrou queixa na Delegacia de Jardim Alegre e manteve contato telefônico com o major Eli, da Casa Militar do Governo do Estado, manifestando sua preocupação com o clima tenso.
Segundo o advogado, os 30 seguranças começaram a construir ontem novas guaritas, avançando mais em direção ao acampamento dos sem-terra.
Este foi o quarto incidente na fazenda desde a invasão, em abril do ano passado. Já houve disparos de seguranças contra dois fiscais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e contra um sem-terra que, em dezembro, ficou gravemente ferido.
As fazendas Corumbataí e Canadá, conhecidas como ‘‘7 Mil’’, com área total de 13 mil hectares, foram consideradas improdutivas pelo Incra. Em novembro, saiu o decreto de desapropriação de 5.830 hectares. O proprietário, o empresário paulista Flávio Pinho de Almeida, tenta, através de um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal, suspender o decreto de desapropriação.

mockup