Tiros geram trauma em menores
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quinta-feira, 29 de janeiro de 1998
Paulo Ubiratan 
Os menores G.C.G., 14 anos, J.A.S., 10 anos, e C.F.S., 13 anos, estão recebendo tratamento psiquiátrico desde que presenciaram na noite do último sábado os tiros contra um amigo de seus pais, o técnico agrícola Élcio Carvalhal Moreno, 41 anos. Ele recebeu dois tiros do soldado da Polícia Militar Ivair de Almeida. A agressão aconteceu em frente à lanchonete Scala, em São Jerônimo da Serra (Norte do Estado), quando a vítima, os menores e seus pais Gilberto Carlos Gonçalves e Jorge Félix dos Santos voltavam de uma pescaria e compravam refrigerante.
A discussão começou quando Moreno estacionou sua caminhonete F-1000 na contramão. O soldado teria chamado sua atenção, indo embora depois. Em seguida o PM teria voltado, descido da viatura e atirado. Um tiro acertou o pé e o outro quebrou a tíbia de Moreno, que está internado na Santa Casa de Londrina. Os três menores assistiram à agressão e, segundo eles, foram obrigados a colocar as mãos para cima.
Nós não entendemos o que o policial queria. Estávamos indo embora da lanchonete quando ele chegou atirando, contou G.C.G. Os meninos pediram socorro, mas nada adiantou para conter a ação agressiva do soldado. No momento dos tiros, a lanchonete estava cheia. Os menores - contam os pais - desde então não dormem e começam a chorar quando se lembram do fato.
O soldado Ivair Almeida, em seu depoimento ao delegado de São Jerônimo da Serra, Ismael Lucas Machado, alegou ter atirado para não apanhar. Ele contou que estava sozinho e, ao abordar Moreno para chamar-lhe a atenção sobre o veículo na contramão, foi cercado por ele e seus amigos. Nessa hora, teria usado a arma. O 18º Batalhão da PM, em Cornélio Procópio, também abriu Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o caso.


