‘‘Um pátio de guerra’’. Foi assim que um dos moradores das proximidades do Zerão comparou o último domingo na área de lazer mais popular da cidade, que foi palco de disparos praticados pela polícia e por jovens que freqüentavam o local.
  A confusão começou por volta das 18 horas. Uma viatura da Rone abordou J.M., 31 anos, que junto com o filho de cinco anos tomava uma cerveja com um amigo, enquanto o filho se deliciava com um refrigerante. Segundo testemunhas, o trio estava sentado em um dos bancos próximo à pista de caminhada do Zerão, em frente ao Bar Villa Café. De forma violenta, os policiais teriam parado o carro e partido para cima de J.M. Segundo testemunhas, ele teria sido agarrado pelo pescoço, após ter levado um soco no estômago.
  De forte estatura, J.M. teria tentado se soltar dos policiais, sendo necessário que mais duas viaturas da Rone fossem chamadas para ajudar na apreensão. Enquanto o seu filho chorava desesperadamente e dezenas de pessoas assistiam de forma impaciente e revoltada a atuação policial, J.M. foi levado para o interior do carro. Uma outra pessoa que estava no local, identificada como A.A., 24 anos, teria jogado uma garrafa de cerveja na viatura, sendo posteriormente também encaminhada para a delegacia. Expressando indignação, as pessoas que estavam no local chegaram a vaiar os policiais. Para dispersar as pessoas, a polícia deu dois tiros ao alto que acabaram atingindo o galho de uma árvore. Após recolherem os projéteis do chão, eles saíram em disparada, contou testemunhas que pediram para não serem identificadas.
  ‘‘Foi a coisa mais grotesca e violenta que presenciei’’, comentou ontem o funcionário público Alexandre Isidoro Jerônimo. Ele estava com o pai de 90 anos, o ex-jogador do Londrina e radialista da extinta Rádio Londrina, João Isidoro Jerônimo, na hora da abordagem policial. ‘‘Foi assustador ver o despreparo dos policiais que espalharam desespero, principalmente nas crianças e mulheres que estavam presentes’’.
  Menos de três horas depois desse fato, às 20h30, uma briga entre jovens quase acabou em morte. F.G.S., 17 anos, foi ferido com três tiros e encaminhado ao Hospital Evangélico. De acordo com o relatório médico, uma das balas atingiu o abdome, ferindo principalmente o fígado. Ontem, F. continuava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado grave. Outros disparos atingiram as nádegas e a mão direira. Segundo testemunhas, os tiros teriam sido disparados por um jovem envolvido na briga, e um outro amigo. Os autores do disparos fugiram e a Polícia Civil ainda não conseguiu identificá-los. A confusão aconteceu na rua, em frente a um bar.
  Ontem, o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Rubens Guimarães disse que o J.M. era suspeito de tráfico de drogas, mas que isso ainda não foi confirmado. Devido a ‘‘desacato policial’’, por ter chamado os policiais de ‘‘porcos fardados’’, J.M. foi encaminhado à delegacia, sendo liberado na madruga de ontem. Guimarães também informou que irá pedir abertura de sindicância interna para averigüar os fatos e não confirmou os disparos de tiros. (Colaborou Emerson Dias)

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