Tiro que atingiu Daniela partiu da PM
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quinta-feira, 17 de abril de 2008
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O tiro que atingiu a cabeça da menina Daniela Aparecida Dias da Silva, 11 anos, foi disparado por um dos dois policiais militares envolvidos diretamente em uma troca de tiros com bandidos em um sítio da Zona Norte de Londrina, no dia 16 de março deste ano. A perícia argumentou que a autoria do disparo não poderá ser constatada porque o projétil que feriu a menina não foi localizado. As conclusões foram divulgadas ontem pelo Instituto de Criminalística que afirmou, entretanto, que os policiais não teriam agido de forma imprudente ou negligente. A Polícia Militar informou que os quatro policiais que estavam no local, no momento do confronto, permanecem afastados.
O perito Marco Antônio Otta disse que o exame do local, baseado em informações prestadas pelos policiais e por familiares da menina, indicou que uma viatura da PM estaria em perseguição a pelo menos um bandido poderia ter se escondido no sítio da família de Daniela. Dois policiais estariam a pé em meio a um carreador, numa posição acima de onde ficava a casa e onde estava a menina e o suspeito. ''O carreador tem uma declividade grande, de cerca de 15 graus. Os PMs estavam numa parte mais alta, na descida para o sítio. O suspeito teria aparecido de um carreador secundário, numa parte mais baixa, já atirando contra eles'', detalhou o perito.
Ao perceberem os disparos, Daniela e outras crianças que brincavam com ela no quintal teriam corrido em direção à casa da família. Ao se aproximar da porta de entrada da residência, a garota foi atingida por um tiro que transfixou a cabeça dela. ''A menina estava numa parte mais baixa ainda, próxima da casa. Ela se encontrava atrás do marginal e, consequentemente, dos policiais. Mas estava na linha de tiro dos policiais e um desses disparos, infelizmente, veio a atingi-la'', comentou Otta. Ele completou que a visão dos policiais, tanto da casa quanto da menina, estaria encoberta pela vegetação. ''Foi um tiro acidental. Não houve um erro. Imperícia ou imprudência seria se a menina estivesse entre o marginal e os policiais'', observou.
Mas o perito adiantou que será impossível apontar qual policial que teria efetuado o disparo que atingiu Daniela. Isso porque o projétil não foi encontrado no local. Outra complicador é o fato de que as duas armas que teriam sido usadas pelos policiais envolvidos - uma carabina e uma pistola - têm o mesmo calibre, usam a mesma munição e os ferimentos que podem provocar são semelhantes.
Mesmo assim, o Instituto de Criminalística continua a análise das quatro armas apreendidas com os policiais. O trabalho não tem data para ser concluído. Já o laudo do exame do local deverá chegar a qualquer momento às mãos do delegado responsável pelo inquérito, Antônio do Carmo.
Quanto aos quatro policiais envolvidos na ocorrência, o porta-voz da 4 Companhia Independente da Zona Norte, tenente Alexsander Cardoso, informou que eles permanecem afastados de suas atividades até a conclusão do inquérito policial militar (IPM) instaurado para apurar o caso. Um dos policiais, inclusive, teria pedido licença-médica por estar bastante abalado psicologicamente. Em relação aos apontamentos feitos pela perícia, o tenente argumentou que a Polícia Militar só irá se pronunciar quando tiver o laudo em mãos.


