Cerca de 40 motoristas e cobradores da empresa de ônibus Leblon tentaram invadir a delegacia de Fazenda Rio Grande, na manhã de ontem, em busca dos dois suspeitos de terem atirado num cobrador, na noite de terça-feira. Por medida de segurança, Adilson Rodrigues, 23 anos, e Paulo Roberto Feronato, 22 anos, foram transferidos para o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). O cobrador Salmeron Alves de Sena, 35 anos, está na UTI do Hospital Cajuru em estado grave.
Rodrigues e Feronato teriam assaltado um bar no bairro Estados, às 21h15, de onde roubaram bebidas. Depois, às 22h40, tentaram assaltar o ônibus em que estava Sena. Quando o ônibus parou num ponto para uma passageira descer, dois homens entraram e foram até o cobrador para levar o dinheiro das passagens. O cobrador tinha apenas R$ 4,00, já que era sua primeira viagem naquele dia. Os assaltantes falaram que queriam mais dinheiro e como Sena não tinha, atiraram contra o rosto do cobrador.
Segurança - Os colegas de Sena também foram à Prefeitura Municipal de Fazenda Rio Grande cobrar mais segurança. Em reunião com o prefeito Celso Rocha, os motoristas e cobradores escutaram que a melhoria da segurança no município dependerá de uma audiência com o secretário estadual da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, que ainda está sendo marcada.
Hoje, o município tem apenas 12 homens da Polícia Militar e duas viaturas. Segundo Rocha, há necessidade de mais 18 homens e seis viaturas. Na Delegacia de Fazenda Rio Grande, há quatro funcionários e um delegado, e apenas uma viatura.
Há cerca de duas semanas, o delegado Ediu Fernandes ameaçou fechar a delegacia por causa da suspensão de verba da prefeitura. O prefeito repassava mensalmentede R$ 15 mil a R$ 18 mil para a delegacia. Para fazer cortes, deixou a responsabilidade de manter a delegacia para o Estado.
Violência - O motorista Anderson Slusarsezuk, 29 anos, afirmou ontem que falta segurança em Fazenda Rio Grande. Segundo ele, ocorrem dois ou três assaltos a ônibus por semana no município. ‘‘Há quatro meses, outro colega nosso foi baleado no braço, quando trabalhava.’’
O motorista Renato Plakitika, 46 anos, disse que o problema não é só assalto a ônibus. ‘‘As pessoas não podem parar no ponto e ir a pé para casa porque têm medo.’’ Para Plakitika, a falta de verbas da prefeitura não justifica o abandono do município. ‘‘O prefeito tem que correr atrás de recursos para termos mais policiamento’’, disse. ‘‘O perigo está em todo lugar, mas aqui está demais.’’
O colega Francisco Luiz de Lima, 34 anos, também cobra uma solução para a violência. Lima foi assaltado há três meses, quando trabalhava. O assaltante levou R$ 160,00, mas não feriu ninguém. Lima disse que até hoje tem medo de passar por essa situação novamente.

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