Tiro acidental mata moça de 20 anos
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terça-feira, 28 de junho de 2005
Adriana De Cunto<br> Equipe da Folha 
Curitiba Um disparo acidental de arma de fogo matou uma moça de 20 anos, ontem, no bairro de Alto Maracanã, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba. Segundo o superintendente da delegacia daquela cidade, Valdir de Córdoba Bicudo, o tiro foi disparado pelo irmão da vítima, Paulo Oseias de Freitas, de 23 anos, quando o rapaz manuseava a arma, um revólver calibre 38. A bala atingiu o coração de Eliane Paulus de Freitas, de 20 anos. Os dois estavam conversando na sala da casa onde moravam. Até a tarde de ontem, Paulo Oseias estava foragido.
A mãe da vítima esteve ontem na delegacia mas não prestou depoimento. Segundo Bicudo, ela estava em estado de choque. O disparo acidental aconteceu por volta das 13 horas. Os dois irmãos conversavam enquanto o rapaz manuseava o revólver. O tiro atingiu o braço esquerdo da moça e transfixou, chegando ao coração. Quando o Siate chegou ao local, Eliane já estava morta. O corpo foi encaminhado ontem para o Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba e seria sepultado hoje.
O delegado de Alto Maracanã, José Mario Franco, determinou abertura de inquérito policial. Para Bicudo, a morte de Eliane vem comprovar a importância das campanhas de desarmamento. ''Ele (Paulo) não tinha habilitação e nem treinamento para operar uma arma'', afirma.
A tragédia em Alto Maracanã aconteceu no dia em que o Ministério da Saúde divulgou uma nota à imprensa afirmando apoio ''irrestrito'' à realização, ainda neste ano, do referendo popular, previsto no Estatuto do Desarmamento, para decidir sobre a proibição do comércio de armas de fogo e munição no Brasil.
A realização dessa consulta depende de aprovação na Câmara dos Deputados. Para acontecer em outubro, é preciso que a votação seja feita até amanhã. Caso contrário, o referendo ficará só para o ano que vem. Segundo o Ministério da Saúde, o referendo ''é mais um instrumento fundamental para o País na luta pela redução das mortes violentas e do número de vítimas que lotam as emergências do Sistema Único de Saúde''. Segundo o ministério, em 2003, registrou-se mais de meio milhão de óbitos. A Campanha Nacional do Desarmamento já recolheu 360 mil armas de fogo em todo o Brasil.


