'Tinha medo de me abandonarem'
Há cerca de um mês, Marcelo (nome fictício), de 25 anos, decidiu parar de usar cocaína. A atitude partiu dele, quando percebeu que usava todo o salário com a droga. ''Eu chegava a gastar R$ 800 em uma noite. Comecei a perder amizades e estava me tornando outra pessoa. Um dia resolvi contar a verdade para a minha família. Só não tinha feito isso antes porque tinha medo de eles me abandonarem'', revela Marcelo, que presenciou muitos amigos usuários de drogas serem excluídos pela própria família. ''Eles não entendem e fecham a porta de casa, como se aquilo não fosse problema deles, mas para quem usa droga o mais importante é a família'', desabafa.
Segundo o psicanalista Marcelo Castro, quanto mais a família estiver disposta a se tratar junto com o dependente, maiores as chances de recuperação. ''É preciso tratar a família, além do atendimento individual do dependente. Ela precisa se dispor no sentido de compreender em que medida ela esteve implicada na geração da dependência e qual papel ela terá no processo de tratamento. O primeiro passo é uma tomada de consciência de que a tentação de fazer do usuário o problema, não vai levar a nada. Acolher, compreender e se implicar na situação é fundamental'', salienta.
Depois dessa conversa, Marcelo e toda a família passaram a frequentar o Movimento Cristo Te Ama (Cristma) - Fundação Tamarozzi, criado há 32 anos para atender familiares e dependentes de álcool e outras drogas. ''Vejo que todo mundo aqui passou por uma situação semelhante. O que muda é o endereço'', diz Marcelo, que estava acompanhado pela mãe. ''Estou aqui para dar força. Meu filho é uma pessoa boa, que sempre trabalhou. Se ele encarasse essa luta sozinho, não iria a lugar nenhum. Só para o abismo'', sintetiza ela.
O Cristma possui 20 grupos de apoio em bairros de Londrina e atua em cidades vizinhas, totalizando mais de 100 grupos e 300 voluntários. ''É uma dinâmica que deu certo. Quando recebemos um dependente, insistimos na presença da família. Se o dependente não se recuperar, tentamos fazer com que a família continue até a hora em que o adicto é convencido a participar também'', comenta a diretora Marisa Menegazzo Tamarozzi.
Serviço: - O Cristma atende pelo one (43) 3341-9231





