'Tinha medo de magoar meus pais'
Como muitos outros homossexuais, o caminho percorrido pelo funcionário público Marcelo (nome fictício), de 39 anos, foi difícil e cheio de lutas, tanto internas como com aqueles à sua volta. ''Me descobri homossexual na adolescência, e só assumi para mim mesmo aos 17 anos.'' A família, porém, só soube 11 anos mais tarde. ''Eu tinha medo de magoar meus pais, de ser abandonado pela minha família'', justifica. O pai de Marcelo morreu sem saber da orientação sexual do filho.
Marcelo confessa que tentou esconder, talvez prevendo os tristes episódios que teria que enfrentar. ''Certa vez fui vítima de uma brincadeira muito constrangedora por parte de uma psicóloga e entrei com uma ação contra ela por danos morais. Ganhei a causa e hoje ela não pode ficar no mesmo ambiente que eu e nem citar meu nome'', conta. Hoje o funcionário público comemora o respeito que conquistou a duras penas. ''Nós homossexuais nos cobramos muito mais, temos que provar o tempo todo que somos bons profissionais, por exemplo.''
Formado em Direito, ele escolheu como tema do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) a adoção de crianças por homossexuais. ''Fala-se muito do 'perigo' de uma criança ser criada e educada por dois homens, como se estes homens não tivessem familiares, como outros pais'', argumenta Marcelo, único homossexual de uma família de sete irmãos. (S.L.)





