Curitiba - ''Sempre acreditei no serviço de resgate. Tinha certeza que iriam me encontrar, viva ou morta''. Foi esse o pensamento que a montanhista Denise Ciunek, 38 anos, teve nos 17 dias que ficou desaparecida na Serra do Mar. Ela se perdeu após ser atacada por um homem armado enquanto percorria sozinha o Caminho do Itupava. Foi encontrada na tarde de domingo com quadro de desidratação. Denise passa bem e está internada no Hospital Nossa Senhora do Rocio, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba.
Montanhista há 15 anos, ela já havia percorrido o caminho diversas vezes, mas nesta ocasião foi surpreendida por um estranho. ''Era um homem de boné e capuz e parecia ter fumado crack. Não sei se consigo reconhecê-lo pois ele não deixava eu olhar para o rosto. Quando me rendeu, apontou a arma para mim e disse para eu andar. Depois de um tempo caminhando ele parou, deixou o revólver no chão e começou a abaixar as calças. Nesse momento eu dei um soco no órgão sexual dele e outro no rosto e saí correndo'', relata Denise. Ela tinha conhecimentos de defesa pessoal, pois realizou um curso com especialistas.
A montanhista percorreu diversos caminhos para fugir do homem. Quando chegou em um rio, percebeu que estava perdida. ''Rezei muito para que não chovesse. Assim o risco de hipotermia era menor'', conta. Nos 17 dias Denise não conseguiu dormir. Durante a noite ela fazia exercícios para esquentar o corpo. De dia ficava deitada em uma pedra para aproveitar o calor do sol.
Nos primeiros cinco dias Denise racionou as barras de cereais que havia levado. Nos outros 11 dias ela ingeriu apenas água. ''Eu estou acostumada a ficar um dia por semana em jejum. Além disso, só me alimento de produtos orgânicos, então tenho a imunidade alta'', explica. Denise não conseguiu fazer uma fogueira para sinalizar a localização de onde estava pois esqueceu o isqueiro em casa.
Ela aconselha que as pessoas evitem realizar o trajeto do Caminho do Itupava sozinhas. Além disso, é importante informar aos órgãos responsáveis sobre o início da caminhada. Existe um trailer do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) que coleta os dados de quem inicia o percurso. No final há outro espaço que confere se a pessoa chegou bem. ''Algumas pessoas têm mania de sair da trilha e ir por outros caminhos. Mas é importante respeitar as regras do parque. Tem muita trilha aberta por bandido. Eu só saí da rota porque fui atacada''.
Após receber alta do hospital, a montanhista pretende esperar um bom tempo antes de realizar outras atividades semelhantes. ''Quero ficar em casa, descansando, curtindo meu pai e minha irmã''.

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