Tímido, cacique espera apoio para plantar a terra
Tímido, cacique
espera apoio para
plantar a terra
Sucursal de Foz do Iguaçu
Cercado de gaiolas com cachorros e galinhas, lonas para cobrir futuros barracos e instrumentos de caça, o cacique Inocêncio Tupã-Rendavy Acosta, 49 anos, fazia planos na última sexta-feira pela manhã, antes de se mudar definitivamente para a nova reserva. A área tem 1.744 hectares e ganhou o nome de Takohã-A¤etete.
À beira de uma estradinha que corta a reserva biológica da hidrelétrica de Itaipu, ele esperava o trator que viria transportar sua mudança. Falando pouco e timidamente, o cacique concedeu a seguinte entrevista à Folha.
Folha de Londrina - O que o senhor espera de agora em diante, com a transferência para a nova reserva?
Tupã-Rendavy - É bom porque tinha vontade de sair daqui. Chega de sofrer aqui. Lá (na nova área) tem água limpa, espaço para plantar e mato para caçar.
Folha - Porque aqui era ruim?
Tupã-Rendavy - Não tinha atendimento. Faltava médico e alimentos. Não podia caçar e aqui também não tem caça.
Folha - O que seu povo vai fazer na reserva?
Tupã-Rendavy - Vamos fazer plantações para manter nossa família. Criar galinha, porco e vaca. Precisamos de apoio de algum órgão para preparar a terra.
(Valmir Dernadin)





