Dificuldade de expressar as ideias e os sentimentos. Vergonha de se expor publicamente. Situações corriqueiras, como apresentar um trabalho na escola ou ser entrevistado para uma vaga de emprego, podem ser extremamente constrangedoras. O coração acelera, o suor aumenta, o rosto fica vermelho, as pernas tremem, as palavras fogem. A timidez, sem dúvida, consiste em uma grande barreira.
O problema pode dificultar as relações sociais e a concretização de projetos no âmbito pessoal e profissional. A timidez gera frustração, baixa autoestima e isolamento - fatores que contribuem para o desenvolvimento da depressão. Especialistas garantem que sofrer uma grande humilhação, uma decepção amorosa ou passar por uma crise podem agravar ou despertar a timidez.
A doutora em psicologia clínica, psicoterapeuta e coordenadora do curso de psicologia do Centro Universitário Filadélfia (UniFil), Denise Hernandes Tinoco, aconselha buscar tratamento para superar o problema que atinge todas as faixas etárias. ''É importante procurar terapia para flexibilizar o superego, aumentar a confiança em si e encarar o mundo de uma forma menos persecutória'', diz Denise, que alerta: ''Se o problema não for devidamente tratado pode desenvolver uma série de doenças.''
Segundo ela, o tímido sente-se observado o tempo todo. ''Ele acredita que é o centro do mundo, mas por um ponto de vista negativo. Essas pessoas podem ter algum tipo de neurose, pois sempre acham que tem alguém rindo e reprovando suas atitudes'', explica Denise, ressaltando que a timidez é uma situação de sofrimento e que não deve ser confundida com introversão. ''Todo mundo quer se preservar de alguma forma e tem um certo cuidado consigo mesmo.''
De acordo com Denise, na maioria das vezes o tímido vem de uma família bastante severa e crítica. ''Os pais não devem forçar a criança a se expor. Essa atitude pode deixá-la ainda mais retraída, pois ela se sente incapaz de fazer suas coisas. É preciso deixar fluir naturalmente e toda vez que ela produzir algo legal é importante elogiar, sempre ressaltando as qualidades da criança. Só não pode forçar a barra'', adverte a psicoterapeuta, que garante: ''A timidez vem junto com uma série de outros sintomas, como dificuldade de aprendizagem.''
As pegadogas Mara Lúcia Araújo e Rosane Gomes, que são orientadoras educacionais do Colégio PGD, afirmam que a timidez interfere na realização das atividades escolares devido à preocupação excessiva que o aluno tem com a reação e o pensamento dos outros. Segundo elas, o educador deve estar sempre atento e observar o aluno em diversas situações para verificar em quais momentos ele se sente mais ou menos à vontade, buscando aproximação e oportunizando momentos descontraídos.
No entanto, de acordo com as pedagogas, se persistir a falta de adaptação ao contexto escolar, após diferentes tentativas e estratégias, é necessário encaminhar a criança ou adolescente a um especialista. Nesse contexto, a interação entre escola e família é fundamental. ''Com a colaboração dos pais, é possível alcançar metas e resultados mais satisfatórios. É importante conhecer a dinâmica familiar quanto aos seus princípios e valores, bem como as atitudes dos pais em relação às cobranças e exigências, formando um elo com a proposta oferecida pela escola.''
Além de interferir nas atividades escolares, a timidez também dificulta a inserção no mercado de trabalho. A psicóloga e consultora de Recursos Humanos Cristiane Zagui afirma que o candidato tímido, no momento da entrevista, deixa de destacar dados importantes que valorizam sua trajetória profissional. ''Essas pessoas falam menos e se expressam de forma mais contida, o que pode comprometer a avaliação.''
Segundo Cristiane, a timidez também prejudica outro importante fator: o desempenho profissional. ''A pessoa não se destaca devido à dificuldade de se posicionar e expor suas ideias. Ela fica escondida e a organização não a enxerga'', diz Cristiane, que aconselha: ''É interessante buscar ajuda profissional e participar de grupos fora do ambiente de trabalho. É um processo gradativo.''

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