Tilápias da Tailândia melhoram a qualidade genética da piscicultura
A Secretaria da Agricultura, através da Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar), quer montar um banco genético de piscicultura. A proposta é garantir um fornecimento permanente de alevinos de várias espécies de peixe para abastecer os criatórios do Estado.
O pontapé inicial deste trabalho foi dado este ano com a importação de 20 mil alevinos de tilápia da Tailândia. A importação foi feita pela Associação de Produtores de Alevinos do Paraná, com a intermediação da Secretaria da Agricultura.
Do total importado, 75% foram destinados a 29 produtores de alevinos do Estado e os 25% restantes à Codapar, que está começando a montar o seu banco genético, para abastecer outros produtores interessados.
A importação era necessária para a introdução de um novo material genético na piscicultura do Paraná, com o objetivo de evitar a consanguinidade, explica o médico veterinário Masaru Sugai, do Departamento de Pecuária da Secretaria da Agricultura (Depec).
Segundo ele, há muitos anos não se fazia uma importação de alevinos e com isso estava havendo muita reprodução entre parentes nos tanques de peixes do Estado, o que acaba prejudicando a qualidade da produção. A exemplo do que acontece com todas as demais espécies, a consanguinidade na piscicultura provoca o nascimento de animais com má formação genética, com problemas de reprodução, o que vinha causando prejuízo aos piscicultores, explica Sugai.
O veterinário explica que a Secretaria da Agricultura e a Associação dos Produtores de Alevinos do Paraná optaram pela importação da Tailândia porque é onde se encontra uma das mais avançadas tecnologias na área de piscicultura do mundo. A Tailândia mantém um instituto de pesquisa voltado exclusivamente a estudar a produção, genética e reprodução de peixes, informa Sugai.
De acordo com dados do Depec, o Paraná tem 21.940 piscicultores, que produziram este ano 7,7 mil toneladas de peixes de água doce, em 38.754 tanques, que totalizam 6.632 hectares de lâmina de água. A produção de alevinos de várias espécies de peixe chegou a 97 milhões este ano.
Além de abastecer todo o Paraná, os produtores de alevinos exportam para outros Estados, especialmente par São Paulo, que é também um importador de peixe do Paraná.
Patologia Além da importação de material genético que aconteceu este ano, em 97 a Secretaria da Agricultura vai invetsir no treinamento e capacitação dos técnicos em piscicultura.
Quatro técnicos vão no próximo ano para a China, através do acordo de cooperação técnica que existe entre o governo do Paraná e a província de Zhejiang.
Os técnicos vão para a China para fazer uma especialização na área de patologia de peixes. O Brasil tem poucos especialistas nesta área e já começamos a ter focos de doença em tanques de peixes que precisam ser controlados, explica Masaru Sugai.
Segundo ele, essas doenças podem representar uma quebra de produtividade e até de produção com a mortandade de peixes, se não houver um controle adequado.
O técnico conta que na China, onde a criação de peixes é uma das principais atividades econômicas, o controle de doenças é totalmente dominado pelos especialistas do setor. Lá já se faz a vacinação dos peixes através da introdução de vacinas dentro dos tanques, explica.
Segundo ele, porém, o mais eficaz é ainda o controle preventivo de doenças, o que só é possível através de um manejo correto. É isso também o que os nossos técnicos vão aprender na China, informa.





