TIL tira linha de ônibus e comunidade reclama
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terça-feira, 20 de julho de 2004
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Cambé Chegar no emprego sem atraso, bater o cartão e evitar um indesejado desconto salarial no final do mês tem sido uma tarefa cada vez mais difícil para alguns moradores da Zona Oeste de Cambé (13 km a oeste de Londrina). E tudo por causa da extinção da linha Jardim Silvino-Centro de Londrina, via Barão, que há uma semana era oferecida pela TIL Transportes Coletivos Ltda. Para compensar, a empresa regularizou a linha Ana Elisa-Centro, via Cacique, com uma conexão no Ecoville, substituição que deixou revoltada boa parte da comunidade local. Quem mora no jardins Ana Elisa e Ecoville reclama que o ônibus passa muito tarde no ponto, inviabilizando a chegada no trabalho antes das 8 horas da manhã.
A auxiliar de odontologia Vilma Xavier, 29 anos, que mora no Ana Elisa, já contabiliza prejuízos no próximo contra-cheque. Sem o antigo ônibus, ela passou a conviver com um atraso diário de 10 minutos até o consultório odontológico onde trabalha, na Avenida Leste-Oeste, em Londrina. ''Todo dia (o atraso) é descontado do meu salário, ainda não calculei direito, mas isso acontece há uma semama e o prejuízo será inevitável. O sindicato dá uma tolerência de 10 minutos por mês, mas em apenas um dia'', lamentou Vilma.
Para resolver o problema, segundo ela compartilhado por outras pessoas do bairro, a melhor alternativa seria antecipar em pelo menos 20 minutos o horário do ônibus. ''A primeira linha passa às 6h15, e para gente é muito cedo. Se a empresa antecipasse a segunda, dava para chegar a tempo no serviço'', contou. Vilma disse que tentou resolver o problema com a direção da empresa. ''Eles foram mal educados, não atenderam direito, e nem se interessaram por nossa história'', alegou.
No Ecoville, com os horários imcompatíveis, tem gente que precisa andar 20 minutos para pegar um ônibus de percurso mais veloz. É o caso da também auxiliar de odontologia Elisângela Gomes, 22 anos. Para evitar chegar tarde no trabalho, ela acorda mais cedo e anda até o ponto do Ana Elisa para embarcar em outra condução. ''Os horários não batem. Para quem mora no Ecoville fica complicado, era bem mais tranquilo quando tínhamos a linha do Jardim Silvino'', relatou. Segundo Elisângela, somente perto da casa dela, mais seis pessoas estão insatisfeitas com o problema.
O gerente de tráfego da TIL, Rodolfo Neves, justificou a decisão argumentando que a linha do Jardim Silvino (via Barão), que ficou na ativa quase seis meses, foi retirada de circulação por falta de demanda. Além disso, ela estava em caráter experimental e não tinha registro junto ao Departamento de Estradas e Rodagens (DER). ''A linha era totalmente deficitária. Nosso objetivo é sempre colocar novos ônibus e não tirar. Mas neste caso, não era possível. Tinha trajeto que levava no máximo cinco pessoas'', afirmou o gerente. Segundo ele, a linha do Ana Elisa, com conexão no Ecoville, é mais do que suficiente para suprir a demanda na região. Quanto ao horário, ele disse que não há como fazer alterações.


