Tigre não tem pistas de casal
O delegado-chefe do Grupo Tigre (Tático Integrado Grupo de Repressão Especial) na época do desaparecimento do casal de evangélicos Otília e João Lima, em agosto do ano passado, em Ivaiporã (130 km ao sul de Apucarana), disse ontem que durante as investigações se deparou com situações diferentes de outros sequestros ocorridos no Estado. Cláudio Fernando da Cunha Telles, que comandava o Tigre na época, informou que o casal supostamente sequestrado não tinha bens imóveis e dinheiro.
Tratavam-se de pessoas humildes e que sequer tinham na cidade ou região vínculo afetivo ou familiares de quem se pudesse exigir um resgate, argumentou Telles. O resgate pedido foi de apenas R$ 5 mil e foi exigido da Igreja Congregação Cristã. Telles, que agora assessora o delegado-geral Newton Rocha, contou que na época determinou o deslocamento de uma equipe do Tigre para Ivaiporã. Foram 40 dias trabalhando na investigação do caso mas, ao contrário de tantos outros solucionados, não conseguimos chegar aos sequestradores ou encontrar o casal João e Otília Lima, lembrou.
Telles informou ainda que o pedido de resgate foi feito com cerca de 20 dias de prazo para pagamento. Ele também estranhou o fato de o negociador do resgate ter marcado por três vezes a hora e o local para a entrega do dinheiro, mas em nenhuma delas ter aparecido. Tivemos até a impressão de que tinha alguém brincando com a polícia, disse.
Mas em Ivaiporã, parte da população insiste na possibilidade de sequestro. Anteontem, um grupo de pastores da Congregação Cristã no Brasil esteve na Assembléia Legislativa, em Curitiba, para exigir um posicionamento da bancada evangélica. Eles querem maior empenho da classe política para cobrar a solução do caso junto à Secretaria de Segurança Pública. Ontem, o pastor João Arlindo, que recebeu o 1º bilhete do resgate, foi procurado pela Folha, em Ivaiporã, mas estava participando de um congresso em São Paulo.
Vizinhos do casal também não conseguem entender o desaparecimento de Otília e João Lima. Nadir Fernandes, 43 anos, disse ontem que, no dia do desaparecimento, ouviu gritos na casa de João e Otília. Outro amigo do casal, Genésio de Paula, 74 anos, que acompanhava os dois nos cultos da Congregação Cristã, afirmou ontem acreditar que ambos estejam mortos.
Também ontem, o delegado de Ivaiporã Aparecido Antônio Gregório reiterou que as investigações sobre o caso continuam. Segundo ele, estão sendo checados alguns fatos novos e a polícia continua a procura de familiares e amigos do casal. Nós chegamos a pedir a prisão preventiva de dois suspeitos, mas a medida foi negada pela Justiça por falta de subsídios.Odair StralliotiSem soluçãoCasa de Otília e João Lima, abandonada; no detalhe, bilhete escrito por suposto sequestradorMaurício Borges





