Tibagi sobe e obriga população a deixar casas
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quarta-feira, 29 de janeiro de 2003
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Jataizinho - O Rio Tibagi não suportou a quantidade de água acumulada das chuvas dos últimos dias e transbordou na noite de segunda-feira, 27, exatamente no mesmo dia em que aconteceu a última enchente no local, há seis anos. Caseiros e donos de chácaras que ficam nas margens do rio, em Jataizinho (21 km a leste de Londrina), foram obrigados a sair só com a roupa do corpo.
A água invadiu casas, chegando a atingir 1,5 metros acima do solo. ''Foi de um segundo para o outro, só deu para pegar um colchão e sair'', relatou Daniel Otaviano que trabalha e mora em uma das 12 chácaras atingidas. Otaviano estava aguardando que as águas baixassem, ontem a tarde, para ver o que sobrou em sua casa. Segundo ele, geladeira, cama, guarda-roupa, estante, tudo ficou inundado. ''Dá até tristeza'', disse.
O dono de uma chácara no local, que preferiu não se identificar, contou que quando a água subiu só deu tempo para entrar em um dos carros e sair junto com outras quatro pessoas que estavam no local. Todos os objetos da casa e uma Kombi ficaram para trás, submersos. ''A gente estava atento porque o rio estava subindo, mas não esperávamos que fosse invadir a casa, foi de repente'', explicou. Ele tem chácara na beira do Tibagi desde 1975 e conta que esta é a terceira vez que passa por uma enchente.
Durante todo o dia de ontem, barcos faziam o trajeto levando os moradores para as chácaras. Nas casas onde a água já tinha baixado a ordem era limpar e secar. Outros aguardavam que o nível baixasse ainda mais para poder entrar em casa. Alguns animais foram protegidos e colocados em locais mais altos. Galinhas em cima de telhados, cachorro no sofá e até um bode estava em cima do muro.
Segundo o secretário municipal do Meio Ambiente, que também é coordenador da Defesa Civil em Jataizinho, José Quitério, o normal é que o nível do rio fique na marca de 1,70 metro. Às 10 horas de ontem ,a régua marcava 6,28 metros. No fim da tarde, já havia baixado 45 centrímetros mas mesmo assim durante toda a noite haveria pessoas de plantão para medir a altura das águas a cada duas horas. ''Se começar a subir a gente pede apoio para os bombeiros'', ressaltou Quitério.
O secretário disse que durante a noite de anteontem e a manhã de ontem os bombeiros tiraram famílias de caseiros que estavam ilhadas nas chácaras. ''Quem não tinha barco não teve como sair'', justificou. A preocupação de todos é que se voltar a chover na região o nível do rio deve subir novamente.


