A Defesa Civil de Jataizinho (25 km a leste de Londrina) está em estado de alerta por causa do nível do Rio Tibagi. Na madrugada de ontem, o rio subiu mais de cinco metros e represou os riachos que cortam a periferia da cidade, alagando ruas e casas. Durante o dia, famílias das áreas atingidas na última cheia, no início do ano, retiravam móveis e objetos e procuravam abrigo em casas de parentes e amigos nas áreas mais altas.
Proprietários de 21 chácaras nas ilhas do Rio Tibagi, temendo que as águas continuassem a subir, usavam barcos para retirar móveis e objetos. Cerca de 20 famílias foram retiradas ainda de madrugada e levadas para a casa de parentes. Nas chácaras da margem esquerda do rio, no município de Ibiporã, o Corpo de Bombeiros também realizou a retirada de moradores.
Na Vila Frederico, em Jataizinho, um córrego foi represado pelas águas do Tibagi e pelas pontes estreitas e baixas. A agricultora Neusa Dias de Souza, 54 anos, disse que teve muito trabalho para retirar seus animais da propriedade. ‘‘O rio começou a subir por volta da meia-noite. Às três horas, estávamos com a água acima da cintura’’, contou. Ela disse que pouco antes da inundação, a propriedade foi tomada por cobras, sapos, aranhas e baratas, que desesperados, tentavam abrigos.
Desolada, ela relembrou da cheia do início do ano quando resistiu em sair da propriedade e quase morreu afogada. Desta vez, a água baixou rápido. Por volta das 14 horas, somente as poças no pasto e a rua molhada indicavam que o córrego havia transbordado. Mesmo assim, ela continuava no local. O vizinho de Neusa, Ari Silva, 63 anos, teve um pouco mais de sorte. A casa dele foi construída cerca de um metro acima do nível da rua. ‘‘Mesmo assim, a cheia assustou’’, disse.
Na zona rural, a ponte do Córrego Couro do Boi, foi levada pela correnteza. A estrada é usada como desvio da praça de pedágio na BR-369. Por volta das 3 horas, a caminhoneta Chevy placas ACF 2503 de Cornélio Procópio, dirigida por Ronaldo Bolzan, caiu no local. Segundo funcionários da prefeitura, Bolzan alegou ter passado ali algumas horas antes e, ao retornar a Cornélio Procópio, não viu que a ponte tinha sido levada pelas águas. Ninguém ficou ferido.
O coordenador da Defesa Civil municipal, José Quitério, disse que a ponte foi parcialmente destruída há três meses. A prefeitura a reconstruiu com tubos de concreto e elevou o nível da pista. Mas a correnteza no córrego tirou a terra que sustentava os tubos e levou a estrada. A ponte será reconstruída assim que as chuvas pararem.
Quitério afirmou ainda que o município está em estado de alerta. Ele teme que as chuvas, que continuam na cabeceira do rio, possam subir ainda mais. A atenção maior seria para a noite de ontem. Durante as medições do nível do rio, a cada duas ou três horas, a média ontem ficou em torno de 5,80 metros acima do leito normal.Josoé de CarvalhoAmeaçaMóveis das casas localizadas nas ilhas do Rio Tibagi foram retirados porque as águas não paravam de subirAlexandre Sanches

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