Dorico da SilvaOperação resgateMoradores das chácaras atingidas tiveram que deixar as suas casas e levar os animais, de carroça e bote, para propriedades vizinhas

A chuva de ontem inundou várias propriedades rurais nas margens do rio Tibagi, em Ibiporã. Pastos e plantações foram perdidos. Os moradores das chácaras tiveram que deixar as casas. Para salvar os animais, levados para sítios vizinhos, foram usados botes e carroças.
Os moradores, que só viram situação pior na enchente de 89, calculam que o rio tivesse subido cerca de 3 metros, da noite de terça-feira até o final da tarde de ontem. Na chácara da antiga olaria Kan Kan, a mais atingida, a água chegou até a metade das portas das casas.
O caseiro da chácara, Nélson Mariano de Campos, afirma que perdeu tudo. ‘‘Móveis, roupas, foi tudo pro brejo. Só deu mesmo para salvar os animais’’, diz. A família de Campos - mulher e três filhos - e o outro casal que também mora na chácara foram abrigados no sítio de João Henrique Vieira de Almeida. Ele também teve prejuízos - perdeu toda a roça de milho. ‘‘Tem duas casas desocupadas e um barracão para os desabrigados’’, diz. ‘‘Vamos ficar lá até baixar a água’’, afirma Campos. Na chácara onde ele mora todo o pasto foi perdido. Na vizinhança, plantações de soja também foram atingidas. Seis das 22 propriedades rurais ficaram inundadas. O rio passa a 200 metros das chácaras.

Moradores dizem
só ter visto
situação pior na
enchente de 89


Na ponte do rio Tibagi, em Jataizinho, a água cobriu toda a pilastra de sustentação da linha férrea. Segundo vizinhos da redondeza, o rio deve ter subido entre 10 e 15 metros. Isso corresponde ao pedaço das pilastras que é visto fora da época das cheias.
Com medo que rio subisse ainda mais, o desempregado João Carlos Frestrate e a mulher dele, que moram debaixo da ponte há dois meses, estavam recolhendo tudo ontem à tarde. ‘‘De noite fica mais díficil. A gente não sabe o vai acontecer. É melhor prevenir’’, afirma Frestrate. Ele e a mulher iam para a frente de um prédio no outro lado da ponte, onde outras pessoas já se refugiavam.
Enquanto famílias corriam para salvar o que dava, curiosos observavam calmamente o rio subir. Os mais espertos aproveitaram o prejuízo alheio para levar comida para casa. O motorista Eliel Castro pegou pouco mais de cinco quilos de peixe dos cerca de 5 mil quilos que foram perdidos do pesque-pague Tibagi, por causa da enchente que inundou todos os tanques. ‘‘Foi o que sobrou do pesque-pague.’’

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