Tia da vítima diz que perdeu esperanças
A demora na prisão de Marcos Panissa e a possibilidade de prescrição do caso fazem com que a família de Fernanda Estruzani questione a capacidade da Justiça brasileira. ''Eu não entendo o que acontece. Prendem tanta gente, até por briga na rua. Esse homem matou minha sobrinha de maneira brutal e nunca viu cadeia'', lamenta Iracema Estruzani Valente, tia da jovem assassinada em 1989. ''Já faz tanto tempo. Esses dias, estava conversando com amigos e cheguei à conclusão: não existe Justiça no Brasil''.
Familiares de Fernanda estão espalhados por várias cidades do Sul do País: a mãe reside atualmente em Camboriú (SC). Iracema está morando em Campina da Lagoa (100 km ao sul de Campo Mourão). Ela acompanhou a investigação de perto e conta que perdeu as esperanças depois que a exibição do caso no programa ''Linha Direta'' não resultou na prisão de Panissa.
Os traumas do homicídio permanecem. Iracema conta que se recorda não apenas da sobrinha, mas do sofrimento dos últimos anos de vida do irmão, Parcemiro Estruzani. ''Ele morreu em 1991 de câncer. O médico comentou que o nervosismo contribuiu para que meu irmão ficasse doente, pela forma como ele ficou debilitado devido à morte da filha'', lamenta Iracema.
''Eu acompanhei toda a angústia dele. O que o Parcemiro queria saber de todo jeito era se a Fernanda tinha morrido ao levar as facadas ou se tinha ficado viva algum tempo, agonizando. Ele não se conformava por não saber isso. Eu sabia porque me contaram o resultado do exame. Disseram que a Fernanda ficou de 20 a 30 minutos sofrendo antes de morrer devido à hemorragia. Eu nunca tive coragem de contar isso para o Parcemiro. A dor dele era muito grande''. (F.G.)





