Recrutas do Tiro de Guerra de Londrina entregaram ontem 32 toneladas de alimentos não perecíveis ao Hospital do Câncer de Londrina. A arrecadação foi feita em nove dias junto à comunidade de Londrina, Cambé e Apucarana. As doações serão suficiente para atender pacientes e funcionários da unidade por cerca de quatro meses.
O projeto do Tiro de Guerra de coleta de alimentos em locais como supermercados e condomínios começou em 2015, nos dias que antecedem a Semana Santa. No ano passado, foram arrecadadas 10,5 toneladas. Neste ano, a atividade solidária começou em 11 de março, com uma palestra proferida aos recrutas no Hospital do Câncer. Na ocasião, eles puderam conhecer o funcionamento da instituição. "Eles (recrutas) não estão nem há um mês no Tiro de Guerra. Antes, esses jovens têm uma ideia do que é ajudar as pessoas, mas nunca fizeram. A primeira oportunidade que têm é dentro do Exército. Na palestra, ficaram impressionados com os números do hospital e lançamos um desafio de superar a arrecadação do ano passado", disse o subtenente Sandro Jefferson de Jesus Ribeiro, chefe da Instrução do Tiro de Guerra de Londrina.
O Hospital do Câncer serve cerca de duas mil refeições diárias a pacientes, familiares e funcionários da unidade. Noventa por cento dos atendimentos da instituição são a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Com as doações entregues ontem, as refeições estão garantidas por cerca de quatro meses.
Os alimentos foram transportados em um caminhão baú cedido pela Receita Federal e foram necessárias três viagens. "Qualquer oferta aqui faz muito milagre. Uma caixinha de gelatina, que custa alguns centavos, atende seis pacientes", disse o administrador geral do hospital, Edmilson Garcia.
As doações em mão de obra e em gênero, como a que foi feita ontem pelo Tiro de Guerra, representam uma economia de R$ 3 milhões ao ano à instituição. "Com esse tipo de ação, são R$ 3 milhões que não preciso tirar do caixa e podem ser aplicados na compra de material médico e investidos na ampliação do hospital", destacou Garcia.
Há dez anos, quando a atual administração assumiu o hospital, a unidade contava com 108 leitos destinados aos pacientes do SUS. Hoje, são 177 leitos reservados aos pacientes do sistema público de saúde e a lotação é de 100%.
Segundo Garcia, sem a participação da comunidade, o deficit do hospital seria de R$ 6 milhões ao ano e inviabilizaria a continuidade das atividades. "O hospital só existe porque a comunidade quer. Se não for a colaboração da comunidade, fechamos as portas em pouco tempo. Quando a gente vê essas ações, a gente sente uma empolgação. Arrepia ver o espírito de solidariedade", disse o diretor do hospital, Nelson Dequech.
Oficialmente, pacientes de mais de 200 cidades de várias regiões do País procuram atendimento de alta complexidade no Hospital do Câncer de Londrina e a unidade já recebeu também pacientes da Argentina, Paraguai e Peru.

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