Lino Ramos
De Londrina
Especial para a Folha
A empresa Texnort — Têxtil Norte do Paraná, de Cambé, anunciou ontem que irá negociar uma dívida de R$ 536.200,00 com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Pela manhã, dois oficiais de justiça estiveram na empresa com uma carta precatória emitida pelo juiz da 1ª Vara Federal de Curitiba, Guy Wanderley Marcuzzo, determinando a apreensão de grande parte do maquinário da empresa, dado como garantia pelo empréstimo contraído em maio de 92.
Como a diretoria da empresa resistiu ao mandado de busca e apreensão, os oficiais pediram reforço policial e até um guincho foi acionado para retirar as máquinas. O advogado do BNDES, Carlos Eduardo Gabina, disse que as máquinas eram a garantia de alienação fiduciária e a busca e apreensão ocorreu em razão da inadimplência da empresa.
O sócio-gerente da Texnort, Ivan Fuganti, explicou que o BNDES pretendia levar um dos dois batedores (máquinas para a limpeza do algodão) e 18 das 24 cardas (aparelhos que transformam o produto em fios) reduzindo em 50% a capacidade de produção da empresa. ‘‘Com isso seremos obrigados a demitir 75 dos 130 funcionários. Eles irão transformar essas máquinas em sucatas e promover o fechamento da empresa’’, afirmou.
A produção mensal da Texnort é de 300 toneladas de fios de algodão e o faturamento gira em torno de R$ 220 mil. Segundo Ivan Fuganti, o custo da produção foi terceirizado e o faturamento é direcionado ao salário dos funcionários.
A direção da empresa alega que na semana passada fez uma proposta ao banco mas não obteve resposta. Outro sócio da Texnort, Gerônimo Arlindo Fuganti, conversou por telefone com o advogado do BNDES, Amilton Soares de Andrade Júnior, propondo o pagamento de cerca de R$ 3 mil mensais durante um ano para quitar os juros do débito. Após o 13º mês, a Texnort se comprometeu a iniciar o parcelamento da dívida, num prazo de nove anos.
Segundo Gerônimo Fuganti, a direção do BNDES aceitou a proposta, que seria ratificada ontem à tarde no Fórum de Cambé. O empresário alega que a política econômica do governo federal colocou a fábrica numa situação difícil. ‘‘O BNDES que deveria ser o banco de desenvolvimento está provocando o fim de 75 empregos’’, desabafou o empresário.
No Rio de Janeiro, a assessoria de imprensa do BNDES informou que o órgão não iria se manifestar sobre o assunto.

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