Tetraplégica se diz prejudicada
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quinta-feira, 15 de janeiro de 1998
Osmani Costa 
Josoé de CarvalhoSituação especialElaine José Real em frente ao Colégio Londrinense, onde fez provas: Sem um computador, fui lesada no meu desempenhoAs esperanças de passar no vestibular são bem pequenas, porque apesar de ter me preparado para a concorrência fui prejudicada pela falta de equipamentos necessários à minha situação de tetraplegia. A UEL não me ofereceu os recursos necessários para o bom desempenho nas provas, notadamente naquelas que necessitam de cálculos, rascunhos e textos escritos, como os de matemática, física, química e redação. O desabafo é de Elaine José Real, 26 anos, que prestou o vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL) como candidata a uma vaga no curso de Direito noturno.
Ela ficou tetraplégica - sem domínio dos movimentos dos membros - em consequência de um acidente automobilístico sofrido em setembro de 93. Para prestar o vestibular da UEL pela quinta vez, ela veio diariamente de Rolândia (25 km a Oeste de Londrina) acompanhada pela irmã gêmea Eliane Maria Real, que é formada em Serviço Social e também tentou uma vaga em Direito.
Elaine José conta que sofreu lesão nas sexta e sétima vértebras e recuperou parte dos movimentos dos braços e mãos, nos últimos anos, através de sessões diárias de fisioterapia. No entanto, ainda tenho totais condições para escrever a caneta. Por isto, necessitava de um computador com programa adequado para ter tido as condições ideais de prestar o vestibular. Infelizmente, apesar de ter relatado a minha situação no ato da inscrição, a UEL não me ofereceu este computador. Assim, considero que fui prejudicada e lesada no meu desempenho, afirma a vestibulanda.
Ela prestou o vestibular em sala especial no Colégio Londrinense - no centro da Cidade -, onde foi instalada apenas uma máquina de escrever elétrica para a composição do texto da redação. Temos tudo documentado. A Elaine não solicitou o computador no ato da inscrição, como recomenda o manual do vestibulando. Ela só veio pedir o aparelho na véspera do início das provas. Aí, infelizmente, não deu mais tempo, não tivemos mais condições de atendê-la, rebate o coordenador geral do vestibular da UEL, Reynaldo Ramon.


