Mais uma possível reação adversa à vacina tríplice viral, aplicada em Curitiba e oito municípios da Região Metropolitana, está revoltando os moradores do município de Araucária. Vanderlei Lopes Ferreira, 28 anos, vem apresentando inchaço dos testículos há cinco dias. Com fortes dores, ele procurou o Pronto-Socorro de Araucária. O caso que mais assustou a população do município - a morte, na segunda-feira, do estudante Ederson Pinheiro Ribeiro, de 15 anos - ainda permanece nebulosa. Ontem, o Laboratório Central do Estado (Lacen) não cumpriu a promessa de divulgar o resultado do segundo exame para confirmar as causas da morte.
Vanderlei Ferreira conta que o médico que o atendeu, Alexandre Ferreira, encontrou um caroço em seu pescoço e disse que o crescimento dos testículos é decorrente da vacina usada durante a Campanha contra o Sarampo. Segundo ele, um morador próximo de sua casa também está com o mesmo problema, depois de ter tomado a vacina. Ontem, o homem não foi trabalhar e seus familiares dizem que ele ‘‘teve uma caxumba que desceu’’.
Vanderlei foi medicado e recebeu os remédios para o tratamento. O médico o aconselhou a procurar outro posto de saúde, caso seu quadro clínico se agrave. ‘‘Estão me falando que se eu não me tratar direito posso ficar estéril’’, diz. Se ficar com alguma sequela, Vanderlei afirma que vai acionar o Estado na Justiça. ‘‘Sou jardineiro do Clube Atlético Paranaense e preciso do meu emprego’’, conta.
Revoltado, Vanderlei conta que tomou a vacina há alguns dias no terminal de ônibus de Araucária. ‘‘Não gosto de injeção, mas me puxaram e fiquei com vergonha’’, diz.
Os pais de Ederson Ribeiro também não se conformam com o que aconteceu com o filho, que morreu no início da semana, em decorrência de uma hemorragia intracraniana. A mãe, Terezinha Pinheiro Ribeiro, conta que a Secretaria da Saúde de Araucária já foi três vezes em sua casa para dizer que a morte do estudante não foi provocada pela vacina, que ele havia tomado onze dias antes. ‘‘Mas então o que pode ter provocado a morte se ele estava bem bem?’’, questiona.
Terezinha diz que está confusa sobre o que causou a morte do filho. No atestado de óbito a causa apontada é sinusite. Ontem ela recebeu um novo documento que mostra que Ederson teve sinusite, meningite bacteriana e hemorragia. ‘‘Se não foi a vacina, houve negligência dos médicos que o atenderam aqui (Araucária)’’, garante.

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